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O eterno Ragnarök


           Sinto muito aos que pensaram que essa seria uma matéria sobre o RPG ou um filme da Marvel, é "apenas" uma resenha de "Mitologia nórdica", de Neil Gaiman.

           Eu sempre tive uma opinião muito impopular sobre Neil Gaiman! Eu sou do tipo devoradora de livros ou leitora por obrigação. Se eu gosto de um livro, o leio em menos de uma semana. Se eu preciso ler por necessidade ou para me atualizar, posso ficar até três meses em um livro. Sou uma grande amante de Sandman! É a HQ mais incrível já feita, adoro os personagens, contos, desenvolvimento... 0 defeitos! É uma obra-prima e merece todo respeito do mundo! É claro que um autor tão incrível merece ser prestigiado em outras obras e, assim, me aventurei por outros escritos.


Sinceramente, Coraline foi razoável. Consegui ler em um bom tempo. A história é boa, mas a escrita não me prendeu. O mesmo aconteceu em Deuses Americanos, mais de três meses de leitura. História razoável, mas a escrita era chata. Eu não esperava algo diferente de Mitologia Nórdica e preparei minha agenda para iniciar a leitura. Eis que me surpreendi, e muito!


                                                      Freya, como representada no MOBA SMITE


            Em Mitologia nórdica, Neil Gaiman conta o “lado B” dos mitos que conhecemos pela Marvel, DC, jogos de RPG e MOBAs e sabemos pouco a respeito. Ele diz como os deuses conseguiram suas queridas armas, como o martelo Mjölnir e a lança que sempre acerta o alvo, Gungnir, presenteado aos deuses pelos anões através de uma manipulação do deus Loki. Conta como foi criada a poesia, como a árvore do mundo, Yggdrasil, passou a unir os nove mundos. Como Odin sacrificou seu olho para beber do poço de Mimir e adquirir toda a sabedoria. Como Loki, o deus do caos, terá seu papel principal no fim dos tempos junto de seus filhos, Hel, Jörmungandr e Fenrir. Como Heimdall, o guardião da Bifrost, será o único deus que não adormecerá até o fim dos tempos, para soar a corneta e anunciar a Ragnarök.

            A personalidade destes deuses da guerra é bem detalhada por Gaiman em seu livro. Apresenta como os mitos e deuses representam bem seus povos, sempre possuindo o mesmo aspecto e as mesmas crenças que eles. Os deuses nórdicos são deuses guerreiros e, aos humanos que morrem dignamente em batalha, é reservado um lugar especial em Valhalla; os deuses egípcios eram sábios e seus mitos são cheios de ensinamentos e proteção; no budismo, não existem deuses e todos os humanos devem buscar seu próprio aperfeiçoamento, retratando bem as crenças orientais etc.


                                                             Odin, pai de todos os deuses.

            O que mais me chamou a atenção nesse livro foi como tudo dá introdução ao Ragnarök. É como se cada passo e cada decisão dos deuses para evitar o fim, os levasse mais para perto desse destino. Desde o banimento dos filhos de Loki para o mundo dos mortos, Midgard e o aprisionamento, quando o medo que Odin possuía do poderoso lobo, Fenrir, fez com que traísse o amigo dos deuses, criando um inimigo eterno. O mesmo com o aprisionamento de Loki após a morte de Balder, onde tudo culminará na maior guerra entre os deuses e as criaturas renegadas.


                                                                Loki, por Tom Hiddleston

            Todo esse caos e essa destruição não vêm sem propósito, é claro. O renascimento está presente em todas as culturas. O recomeço, em que teremos uma nova chance de iniciar a vida, conhecer novos deuses, novas pessoas, novas maneiras de cuidar de nosso planeta e, por fim, novas buscas por paz e felicidade. O Ragnarök nórdico não vem simbolizar o fim de tudo, mas o recomeço de um mundo que destruímos. Isso pode ser visto fisicamente, no mundo a nossa volta, ou espiritualmente, em nosso mundo interior. Quantos Ragnarök já sofremos para nos tornarmos as pessoas que somos hoje? Quando tudo parece acabar, sempre há um amanhã, onde a dor parece mais fraca e, a cada dia, chegamos mais perto de recomeçar tudo da maneira certa. É isso que os mitos vêm nos dizer, que devemos ter esperanças para cada recomeço e lutar em todas as batalhas com bravura, que não existe um fim, somos eternos. É essa a mensagem que o Ragnarök de Mitologia Nórdica me transmitiu, e espero que todos aprendam algo diferente com mais esse livro incrível de Neil Gaiman!



                                                                           Hel, deusa do submundo (SMITE)

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