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Socorro, virei uma garota!, um filme de Leandro Neri


A premissa de uma pessoa mudar de corpo de forma extraordinária não é algo original, mas que também não é necessariamente ruim, se tiver uma boa proposta narrativa e for bem conduzida pela direção, coisa que esse filme tem dificuldade em fazer. O diretor Leandro Neri deixa bem claro que ele quer propor uma historia sobre pré-adolescentes, para o público pré-adolescente e, nesse quesito ele consegue se sair bem, abordando durante todo o filme vários temas como aceitação, dedicação e amizade, e mesmo que o modo como elas são colocadas na história seja bem piegas, funciona na proposta construída pelo diretor.

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Um dos grandes problemas no filme fica por conta do roteiro cheio de diálogos exagerados e artificiais, passando a sensação de que uma pessoa não diria algo assim em público, com reações impulsivas, caricatas e imaturas. Quando o filme começa a abordar temas mais pesados e interessantes, como, por exemplo, o modo como as mulheres são tratadas pelos homens, do ponto de vista de um homem, o roteiro cita essa abordagem em uma cena e não acaba desenvolvendo isso direito, começando e terminando esse tema em uma única cena.

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A maior parte do humor que consegue ser engraçado vem da Thati Lopes, que tem um humor físico muito bom, e que é demostrado quando sua personagem acorda no corpo de uma garota e fica se estranhando, e quando ela ainda não está acostumada em usar vestes femininas, além de ela também ter um bom timing cômico. Mesmo quando o roteiro entrega a ela piadas genéricas, ela consegue ter uma reação que condiz com a situação de forma exagerada, e que consegue ser engraçada. Já em termos de atuação, ela não convence muito, principalmente em cenas mais sérias, com exceção  do terceiro ato, em que ela melhora bastante em uma determinada cena dramática.

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A montagem é problemática, principalmente nas cenas que mostram as vantagens e desvantagens de Júlio ser uma garota, ao mostrá-lo vivendo sua vida de Júlia em sua interação com outras garotas que, devido à montagem, não consegue fazer com que o espectador compreenda totalmente a decisão dele de continuar ou não com essa vida. O terceiro ato apresenta um plot twist bem surpreendente, e que faz o público repensar a escolha de Júlia de continuar sendo uma garota ou não.

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Mesmo piegas, o filme ainda aborda bons temas, de modo em que o diretor foca em chamar a atenção do público entre 11 e 13 anos, mas que não vai despertar muito o interesse dos mais velhos. 

NOTA: 5 momentos desconfortáveis de garota. (5/10)

Trailer:




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