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Desencavei: RPG e História?



            Bem, e por onde começar? Se RPG é um jogo de representação, como num teatro, não deveria ser fiel ao menos à época em que se passa a história?

            Vê-se que muitos jogadores falam em procurar artigos de plástico na Idade Média, incorrem no erro de desconhecer elementos da religião católica sendo seus personagens cristãos fervorosos, não detêm o conhecimento de certas teorias vigentes na época, básicos elementos para um personagem bem elaborado e estruturado.

            Outros erros muito recorrentes relacionam-se ao próprio desconhecimento das características específicas de determinado grupo, clã, tribo...

            RPG, ao menos na minha opinião, não é somente um jogo de entretenimento, mas sim algo contendo um mínimo de intelectualização necessária para o bom andamento da história, o que diferencia uma aventura de RPG bem conduzida de um simples jogo.

            A história é por si só o cerne dos jogos de representação. Para haver continuidade e uma continuidade coerente com a idéia inicial, os jogadores deveriam preocupar-se um pouco mais com a elaboração de seus personagens, backgrounds, características pessoais e, como jogadores, realmente correrem atrás, seja por meio de livros, pesquisas na Internet, seja qual for o meio utilizado, é preciso saber um pouco mais sobre o significado de Wicca, só para citar um caso,  para se jogar com um personagem pertencente a um coven de Wicce, em Witchcraft. É essa nota de realismo que torna tudo muito mais interessante e envolvente.
 
            Há outros elementos determinantes para a realização de uma boa aventura. É interessante quando os personagens entram num barzinho punk, estar tocando músicas de acordo. Algo bem condizente com uma história passada no futuro seriam as versões de músicas de Beethoven do filme Laranja Mecânica... apesar de o filme ser da década de 70, antes que as críticas se manifestem, estas mesmas versões remontam a um caos interessante e talvez legítimo quanto a uma sociedade futurista. Talvez não. O mestre saberá (ao menos deveria...) como conduzir sua ópera. Garanto que, se a idéia acima não agradar, pelo menos todos devem concordar que os presentes na casa do arcebispo de Versailles na Renascença não estariam dançando ao som de Bauhaus, Siouxsie & the Banshees ou The Cure. A coerência é um fator determinante para uma boa crônica. Assim como a inserção de elementos reais na história. 

            Para concluir rapidamente um assunto por si só extenso e gerador de muitas controvérsias, uma reflexão: Por que não incluir elementos de realidade em suas crônicas? Por exemplo, em vez de dizerem "estou invocando o elemental do fogo", os jogadores não fazem uma descrição completa de seu ritual, do tipo... "Então Alex se voltou para o sul, o olhar fixo no céu estrelado, ergueu seu athame, invocou e evocou os guardiões das torres do sul, elementais do fogo, para servirem aos propósitos de ..."
            Minha conclusão, curta e óbvia, ao menos para mim: RPG sem história é o mesmo que macarronada sem molho ou um belo carro esporte sem as rodas...

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Esse artigo, muito bom, explica, em inglês, como, apesar de ser legal ver o RPG bem representativo em séries como Stranger Things, nosso amado RPG está mais para fazer com que a matéria cinza de nossos cérebros entre em ação enquanto também, sim, nos divertimos, e que a exposição na grande mídia pode ser boa e ruim. Não apenas "assista"  a RPG, é meio que a mensagem básica. Jogue! 

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