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O que há de real por trás de Midsommar: Parte 1: As Runas



Como disse o Bruno na crítica dele, Midsommar parece ser inspirado em várias coisas, desde Colheita Maldita a Hannibal (a série especificamente). Mas eu vou falar da parte que existe na realidade e que foi incorporada e/ou alterada no filme.

Aqui abundarão spoilers, então, se você ainda não viu o filme, aconselho que leia a crítica dele sem spoilers aqui. Bem, o aviso foi dado.

Filmes e livros sobre seitas bizarras existem de monte por aí. O que torna Midsommar tão diferente e/ou especial? Bom, eu acho que o filme é overrated, que se fosse mais curto e se aprofundasse nos personagens secundários, eu realmente poderia ter gostado do filme – eu não o odiei, ok? Apenas não acho tudo isso de divino que estão falando por aí. Para mim esse posto ainda é ocupado por Mãe! Simplesmente porque pode ter várias interpretações, embora o diretor discorde dele (e que se dane, perdeu o Oscar por ser babaca). Antes de falar da mitologia real por trás do filme, ainda gostaria de dizer que eu também gostaria que Midsommar tivesse mais camadas, mas, pelo menos para mim, acabou se resumindo no final ‘a vingança de uma namorada frustrada com o relacionamento e o cara acaba sendo sacrificado de uma forma grotesca (e o coitado do urso também) e ela fica feliz com isso. E volto ao que falei quando analisei a letra de Du Hast do Rammstein: por que as pessoas precisam matar ou levar à morte seu/sua parceira? Já pensaram em terminar o relacionamento pacificamente? E me perturba muito a declaração do diretor de que fez um filme após um fim de relacionamento. Para refletir.



Enfim, as runas.

Para a conveniência do roteiro, um dos personagens americanos é um aluno de antropologia que estuda rituais escandinavos. No vestido que dão a Dani, há as runas Raido e Dagaz. 


Raido significa, literalmente, carroça ou carruagem. Representa viagem, seja física ou em termos de mudanças de estilo de vida. 

Dagaz significa, literalmente, alvorada, dia. Refere-se ao mais básico de todos os ciclos: noite e dia. Um lembrete da natureza cíclica de todas as coisas. O que se ergue deve cair. O que aumenta deve diminuir, é a rua do despertar. 



Só que Raido está em espelho, e Dagaz não está na horizontal, e sim na vertical. Só para ter uma ideia, o lado positivo de uma runa pode se tornar negativo se ela cair invertida em uma leitura. E aqui o diretor optou por “criar” runas “tortas” a partir de algo existente.

Ou seja, os símbolos sagrados foram corrompidos. Tal como aconteceu com a suástica nazista. 



 

As runas tinham não somente a função de alfabeto como também de predizer o futuro. Com essas duas runas no vestido de Dani, fica bem óbvia a referência, não? Não a princípio, pois nem todo mundo que verá/viu o filme é um estudante de antropologia focado em mitos nórdicos e/ou estudante da antiga religião pagã que resistiu até o século 12. 

Younger Futhark

 
Elder Futhark
 
Runas Anglo-Saxônicas
Não vou me aprofundar demais nesse ponto, afinal, isso daqui não é uma tese de mestrado 😉 Mas, se quiserem “brincar”, eis um site que explica basicamente o significado de cada runa. Aí dá para ler e interpretar aquela pedra também. 


Essa é a parte 1, em que me foquei nas runas.

Não por conveniência, rs, nem por coincidência, pois não acredito nisso, sou estudante da cultura e do paganismo nórdico. Também conheci suecos, finlandeses e noruegueses quando era da imprensa musical. Até mesmo tive parte do Kalevala cantado para mim por um norueguês <3 E ouvi sobre a cultura deles por eles mesmos. :)

Porém, antes de me despedir de vocês (volto outro dia com mais curiosidades sobre o que há de real por trás de Midsommar), devo dizer que aquele feitiço com o pelo pubiano (ai, que nojo!) sim, existe.


 Curiosidade extra: Kiefer Sutherland tem uma tatuagem em runas que diz: "I trust you to kill me" (Eu confio em você para me matar.)



Também estudei um pouco de sueco, e assim me despeço: Vi ses!

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