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A odisseia dos tontos, representante da Argentina no #Oscar2020, é uma comédia hilária e satisfatória

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O representante da Argentina na disputa do Oscar de 2020 não traz nenhuma história comovente, dramática, com uma grande crítica social que fará as pessoas se chocarem com essa realidade sutilmente disfarçada, em vez disso, o diretor Sebastián Borensztein nos entrega uma comédia bem equilibrada e divertida, sobre um grupo de amigos que decidem investir tudo o que têm em um novo negócio, e que são vítimas de um golpe durante a crise econômica que afetou drasticamente o país na época em que a história se passa.
A Odisseia dos Tontos : Foto Andrés Parra, Chino Darín, Daniel Aráoz, Luis Brandoni, Ricardo Darín
Para criar o humor do filme, o diretor utiliza diversos meios da comédia, indo do mais leve e natural, em que a piada acaba fluindo durante o desenrolar de uma conversa, no  dialogo de dois personagens, até para um humor físico e pastelão que domina muitos momentos divertidos do filme. Mesmo com esses vários recursos da comédia utilizados, o diretor sabe muito bem usar cada um deles, em boa dosagem, optando por não os misturar, não todos ao mesmo tempo, e sim criar a situação adequada para cada tipo de humor, e desenvolver a piada ao longo da sequência, que no final causará um momento cômico bem feito e coerente.

A Odisseia dos Tontos : Foto Ricardo DarínO roteiro deixa algumas coisas um pouco datadas, sobre alguns fatos que realmente aconteceram na Argentina no ano de 2001, que mesmo é estabelecido mais tarde. O  roteiro faz questão logo no início do filme que o publico saiba exatamente o que está prestes a acontecer no país através da perseverança dos personagens de investir nessa empreitada que eles têm em mente, falando com a confiança e a certeza de que nada de ruim vai impedi-los, seguido pela data que é mostrada em tela, dando a entender que o roteirista tem a noção de que boa parte do público sabe o que ocorreu naquela data especifica.

A Odisseia dos Tontos : Foto Chino Darín, Ricardo DarínQuando o roteiro acrescenta um novo elemento sobre um possível contratempo no plano, em vez de explorar isso de alguma forma, ele é utilizado para outros fins, perdendo uma boa oportunidade de aprofundar melhor alguns dilemas e princípios de honestidade.

O ritmo do primeiro ato demora a engatar e fazer com que o público se importe com os personagens, mesmo apresentando bem que caminho o filme vai seguir, mas a dinâmica entre os personagens na organização do plano para recuperar todo o dinheiro que foi roubado deles é bem montada pela direção, mantendo sempre um leve tom cômico nos pequenos passos antes da grande execução, e quando chega finalmente o momento que eles planejaram durante muito tempo, o diretor consegue provocar tensão e desespero, sem fugir muito do clima estabelecido.

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O personagem de Ricardo Darín (O Segredo de seus Olhos) é muito bem desenvolvido, mostrando que ele quer recuperar o que foi roubado dele e de seus companheiros mais do que todos, já que ele foi o homem que teve a iniciativa, mas m vários momentos de sua trajetória, ele entra em dúvida em relação a continuar com o plano ou não, a cada contratempo que ocorre, já que ele é o que mais perdeu com a crise, e é o que ainda tem a perder se algo mais der errado. Mesmo com o uso do recurso de o personagem de desistir de tudo do final do segundo ato para refletir e voltar com tudo no início do terceiro sendo bem comum em diversos outros filmes, suas razões são compreensíveis e bem estabelecidas pela direção.

A Odisseia dos Tontos é uma ótima comédia sobre um tema sério, misturado com o gênero de grandes assaltos, que consegue ser hilário e satisfatório.

NOTA: 8 investidores vitimas de um golpe e meio.

Trailer:


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