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A Vida Invisível, um pequeno retrato de nosso país, representando o Brasil no #Oscar2020

A Vida Invisível : Poster
Embora Bacurau não tenha sido o escolhido para representar o Brasil no Oscar de 2020, A Vida Invisível também não foi uma má escolha, e mesmo não podendo comparar esses dois filmes, já que se tratam de gêneros totalmente distintos. Ambos tratam de questões sociais de nossa atualidade. Enquanto Bacurau leva a história para um lado mais político, A Vida Invisível trata de questões que estão mais presentes na vida e no cotidiano dos brasileiros, ou devo dizer, das brasileiras, já que o diretor Karim Aïnouz (Praia do Futuro) aborda a vida de duas irmãs, Eurídice (Carol Duarte) e Guida (Julia Stockler), que foram separadas por uma sociedade machista dos anos 50, e mesmo que a época abordada fosse outra, vários elementos da história ainda estão presentes em nossa atualidad, o que pode fazer uma boa parte do público se identificar com alguma situação que foi mostrada.

A Vida Invisível : Foto Carol Duarte, Julia Stockler
Mesmo que o machismo dessa sociedade brasileira em uma época antiga tenha importância na narrativa, o roteiro não faz disso o principal tema para desenvolver a trama, isso ajuda a construir o caminho das personagens, sendo mais utilizado como um obstáculo que separa cada vez mais as duas irmãs, que acreditam que uma esteja em outro país, sendo que elas estão mais perto uma da outra do que imaginam, mas o foco desse filme é mostrar como elas tentam viver no meio disso tudo, mantendo as esperanças que um dia as duas vão se reencontrar novamente.

A Vida Invisível : Foto Carol Duarte
O roteiro cria personagens masculinos que representam vários tipos de homens machistas, com a intenção de mostrar as diversas faces desse mau elemento que assombra e menospreza as mulheres, como o pai das protagonistas que, devido a sua forma primitiva de pensar, causa a separação das filhas, de funcionários de uma fabrica onde Guida trabalha, dizendo que o lugar dela é outro, ou do marido de Eurídice, Antenor (Gregório Duvivier), que, mesmo mostrando um afeto pela esposa, para ele, ela é só um instrumento de reprodução e serventia, que impede que ela corra atrás de seus sonhos, e quando um personagem masculino aparece para ajudar, elas já não dão tanta importância, questionando-os, pelo fato de que elas não receberam tanta confiança de outros homens de duas vidas.

A Vida Invisível : Foto Carol Duarte
A construção da jornada das duas é bem calculista, ao apresentar o fato de que elas vivem na mesma cidade, fazendo-as a acreditar que a outra esteja em outro continente, e que elas lutam para ficarem juntas novamente, mas toda vez que aparentemente elas vão se encontrar, o roteiro logo as separa de novo, e mesmo o diretor apresentando bem esses elementos, alguns deles são bem forçados, fazendo o espectador acreditar demais nas coincidências e nas conveniências onde elas são colocadas.
A Vida Invisível : Foto Carol Duarte

Para que o público acredite nesse amor ente Eurídice e Guida, o diretor consegue fazer uma rápida apresentação no primeiro ato de como era a interação e convivência entre elas. Guida é mostrada como uma mulher ousada e destemida, que sempre que tinha oportunidade, desobedecia seus pais, enquanto Eurídice era a certinha e comportada, que mesmo sendo sempre obediente, lutava para alcançar seu sonho de ser pianista, mas a vida sempre a distanciava desse sonho.

Em todo o filme, o diretor opta por utilizar uma narrativa em off das cartas que Guida escrevia para Eurídice, com a função de contextualizar o tempo e a situação atual dela, mas que, em muitas vezes, elas só narram o que esta prestes a ser mostrado na cena seguinte. A passagem de tempo é pouco notada nos cenários, dando a impressão de que toda a história se passa no mesmo ano. a passagem de tempo mesmo só fica clara nas cartas de Guida, ou no visual dos personagens.

A Vida Invisível : Foto Fernanda Montenegro
Mesmo aparecendo apenas nos minutos finais, Fernanda Montenegro surpreende com sua interpretação com apenas 1 minuto em tela, mostrando o que a sua personagem passou durante esse grande salto temporal entre os atos, e o diretor consegue fazer um ótimo trabalho de passar a sensação do que ela sente para o público, por meio da fotografia e dos enquadramentos utilizados, com mérito para a cena em que ela, ao descobrir um fato sobre sua irmã, fica comovida ao ouvir falar dela depois de anos, em uma cena onde Fernanda tem poucas falas, mas faz um trabalho de expressão facial incrível, e o diretor apenas a enquadra em um plano fechado de seu rosto, fazendo o espectador se comover junto com a notícia.

Resumindo em uma palavra, A Vida Invisível é comovente, um pequeno retrato de nosso país, que levará muitos a se identificarem por um momento com essa brilhante e simples história.

NOTA: 8 desencontros no Rio de Janeiro e meio.

Trailer:

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