Entre facas e segredos: Um whodunnit perfeito do começo ao fim




Com um elenco de peso, Entre facas e segredos obviamente não foge à estrutura desse tipo de filme. Subgênero do suspense, altamente popularizado nas páginas da literatura e inúmeras vezes adaptado para as telinhas ou telonas, o whodunnit ganha novas tintas neste que é um filme que não somente atendeu às minhas expectativas, como as superou. Embora no whodunnit o foco geralmente seja no quebra-cabeças da solução do crime em si, aqui temos algo que vai além.

No maior estilo Agatha Christie, mas ainda brincando com clichês do gênero, em que temos o detetive Benoit Blanc (interpretado por ninguém menos do que Daniel Craig, nosso mais recente 007), que chega até mesmo a chamar aquela que ele "usa"  como assistente de Watson. 



Sem entregar nenhum ponto ou reviravolta na trama, basta dizer que um famoso escritor (Harlan Thrombe) de... adivinhem? Romances desse subgênero... aparece morto e, junto com os policiais, surge Benoit Blanc, contratado por alguém que só será revelado perto do final do filme, para investigar a morte que não parece ter sido suicídio. 

O filme diverte, entretém e ainda joga na cara da sociedade questões como meritocracia, xenofobia, tudo muito bem colocado, sem parecer nada forçado. O diretor Rian Craig Johnson, ele mesmo, do divisor de opiniões Star Wars: Os últimos Jedi (mas, convenhamos, todos os filmes de Star Wars geraram discórdias, inclusive uns que hoje são queridinhos dos fãs, isso mesmo, bem antes do nascimento da internet), conduz a trama, o plot, os subplots, tudo, com mestria, e a direção de arte, fotografia e atores não fica nem um pouco atrás. Já vi alguns desses atores e dessas atrizes maravilhosos desperdiçados em outros filmes (sim, Hereditário, estou falando com você). 


Mas a alma mesmo do filme, aquela que pareceria apenas "assistente"  de B. Blanc, é Marta Cabrera, a enfermeira do falecido, que, na verdade, acaba sendo a personagem principal, se pararmos para analisar o filme bem a fundo. E Ana de Armas (a Joi, de Blade Runner 2049) simplesmente dá um baile de interpretação nesse filme, fazendo com que sua personagem brilhe ainda mais do que as lâmpadas de Thomas Edison em A Batalha das Correntes. Muito girl power sem ostentação de bandeiras, natural, bem encaixado, e, antes que (alguns) homens reclamem, como fizeram com o novo As panteras, tem mulher babaca no filme também. E foi impagável ver nosso Capitão América com aquele cinismo nojento do personagem dele no filme, ô mimadinho babaca, socorro! 



Foi divertido, encantador e não se arrasta nem um pouco em seus 130 minutos em tela. Quando se pensa que, ok, já foi tudo resolvido, para onde a trama vai agora? Tudo muda e novas peças perdidas do quebra-cabeça são encontradas. E pistas são deixadas aqui e ali para nós, espectadores, como em uma bela versão nas telonas de um jogo de Detetive (Clue). Simplesmente um deleite. Amei. 

Nota: 5 manchas de sangue no pé esquerdo





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