Frozen II - "Ainda bem que a água tem memória"





A experiência do cinema, como todas as experiências nas vidas das pessoas, é diferente para cada um de nós. Acabamos buscando críticas de filmes para quem sabe termos uma ideia do que podemos esperar deles, mas nunca, jamais, a experiência de um crítico de cinema ou de um telespectador comum será igual à nossa, devido a essa característica inerente da especificidade da experiência para cada indivíduo. 



Outro elemento intrínseco à experiência do cinema é a participação afetiva. Cada um vai se emocionar de acordo com suas convicções, sua base cultural, até mesmo seus sonhos românticos e experiências familiares. Frozen II é um filme que não somente celebra a família, como também nos chama a ver os dois lados de uma história e até mesmo a admitir que algum membro de nossas famílias pode ter feito algo bem errado, sim. Faz parte da vida. O filme é atual ao mesmo tempo em que pode vir a ser tornar um novo clássico de uma nova era. 



E as músicas?

Bem, eu acabei vendo o filme dublado - geralmente prefiro os desenhos da Disney dublados - e achei as canções muito boas, mas, quando chegou a hora da rolagem dos créditos, notei que "Into the unknown" tem até potencial para se tornar uma nova "Let it go", mas talvez não chegue a tanto. Ainda pretendo rever o filme legendado, mas, se não der, porque a vida de adulto tende a ser corrida e cheia de tarefas, rs, mais para a frente revejo legendado. Pelo que vi, as adaptações ficaram ótimas e, embora eu temesse um retorno de "Livre Estou" (Let it go) por causa de todo esse lance de memórias e flashbacks, ufa, esse  momento não veio. Ainda bem, pelo menos para mim. Pois, como eu acabei de dizer acima, a experiência é individual. 




Ah, Ana, você vem com todo esse embasamento teórico-científico para querer destruir a minha experiência de ter curtido o filme? 

Obviamente que não. Eu venho justamente querer ir além, talvez até mesmo dizer que, embora essa mensagem da memória da água seja(m) repetida no filme que, convenhamos, tem como público-alvo as crianças, embora nós adultos possamos muito bem adorar essa segunda instância de Frozen, ela talvez deva ser vista como uma metáfora, e mais, ela deve ser vista em um contexto, e se trata de um filme sobre magia, certo? Além de ser ficção, fala de magia, sensações, disputas, uma série de assuntos por sinal muito bem abordados em, bem, um filme para crianças. 

E, com isso, também venho dizer que a Disney não está destruindo a infância de ninguém. Se você não gosta dos novos live-actions como A Bela e a Fera, Dumbo ou O Rei Leão, é simples, reveja o original, mas No drama, llama! Adultos muitas vezes estragam a beleza da arte, seja ela a sétima, quinta ou sexta, colocando filosofia onde não se aplica e questionamentos existenciais em uma proposta que visa, em 90% de sua abordagem, o puro e simples entretenimento. 

Okay, mas o que Frozen II tem a ver com tudo isso? Muita coisa. É um filme da Disney, portanto, formulaico e mainstream. Ouso dizer que, na trilha sonora, houve até um momento bem Vingadores, e daí, claro, fui trazida de volta por um instante do mundo mágico do cinema para a realidade para me "lembrar"  de que a Marvel é da Disney. É formulaico, é mainstream, e é maravilhoso! Frozen II, dentro da fórmula, conseguiu ser divertido, emocionante, aliás, muito divertido. A maioria das piadas não foi repetitiva e fácil, com potencial para agradar aos adultos até mais do que as crianças, mas sem cair naquele lance (também maravilhoso, por sinal, mas com outra proposta) de Lego Batman, com piadas e referências que têm como alvo o público adulto geek-nerd.



Esse lance da memória da água, que pode ser refutado cientificamente, pode ser interpretado até mesmo como a memória afetiva. Sim, uma metáfora, pois, dos elementos, a água está esotericamente, entre outras coisas, associada às emoções. Quando Olaf até menciona as "transformações", alguns de nós adultos podem até mesmo ser remetidos à transmutação de elementos, à la Alquimia mesmo. Fantástico!

Em termos de celebrações de valores e conhecimentos ideológicos, a Disney, em Frozen II, continua seguindo sua linha de não fazer com que necessariamente as princesas se casem como final feliz, mas sem incorrer no erro também de excluir o amor e o casamento por completo da trama, pois há (ou pode haver) felicidade nisso, e não vejo por que motivos isso deveria ser excluído das tramas, como alguns parecem desejar. 



O filme tem um final bem feliz, sim, à la cartilha da Disney, e isso não é nenhum demérito, embora tenha lá uns momentinhos agridoces... Um dos pontos dessa "modernização" dos filmes da Disney que merece destaque são os vestidos com calça por baixo! Para que as meninas não passem por situações ridículas nem deixem de entrar em aventuras por causa de suas roupas. É algo belo e prático e, convenhamos, precisamos que uma (ou várias) necessidade(s) da vida real seja bem refletida nas telonas, não?



Ah, e preciso mesmo dizer que a animação é linda e que os efeitos visuais ficaram ainda melhores do que no primeiro filme? Preciso. Este é um dos (raros, mas não inexistentes) casos em que o segundo filme supera bastante o primeiro. 

"Água não tem memória e gelo não se emociona", pássaros não falam e xícaras? Muito menos. Porém, esses elementos já fazem parte do imaginário infantil e talvez devam compor um pouco de nossas às vezes amargas e sombrias existências como adultos. Pois nós, adultos, podemos recuperar um pouco daquela inocência perdida nesses momentos mágicos de algum filme como Frozen II (e O Rei Leão ou Dumbo, sejam as novas versões ou as antigas). E, dentro do contexto do filme, eu concordo: Ainda bem que a água tem memória!

 Nota: 5 de 5 salamandras felizes com o "geladinho"  <3





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