Pular para o conteúdo principal

Aves de Rapina - Arlequina e sua emancipação fantabulosa é um Deleite


Com um visual que logo de cara nos remete à Del (Delirium/Delírio) de Sandman, a Arlequina de Margot Robbie em Aves de Rapina - Arlequina e sua emancipação fantabulosa é simplesmente uma encarnação perfeita da personagem dos quadrinhos. 


***



O filme Aves de Rapina - Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa fala sobre emancipação feminina, e a mais do que necessária varinha condutora na direção ficou, ainda bem!, a cargo de uma mulher, Cathy Yan, nos provendo um filme que fala sobre um tema feminino com uma visão, claro, feminina. Antes de torcer o nariz, lembre-se de que isso é mais do que necessário, é bem-vindo. E Cathy e toda a equipe por trás do filme acerta em cheio, nos provendo um filme divertido, caótico, tão caótico quanto a personagem de Arlequina (e sua talvez parente distante, Delírio), que nos encanta com essa anti-heroína e o restante da trupe de Aves de Rapina cometendo erros, às vezes muitos erros, para chegar ao ponto da emancipação e do rompimento com a subjugação masculina mais do que presente não só nas telas dos cinemas e da TV, como em nosso mundo real. O filme acerta em vários pontos, mostrando também uma certa emancipação da própria DC, que acabou, junto com Mulher Maravilha, seguindo um rumo mais do que necessário na indústria do cinema. Sim, o cinema é uma indústria e filmes são produtos. E é preciso atender aos consumidores, e fazer com que se vejam representados nas telonas. Diferentes raças, diferentes backgrounds, diferentes personalidades compõem o rol das meninas em Aves de Rapina. Mas, se alguns reclamaram que todos os homens do filme são babacas, preciso dizer que, na verdade, algo que é um ponto negativo que venho notando em vários filmes de super-heróis, e não só da DC, o personagem de Ewan McGregor é um típico vilão caricato dos quadrinhos. Isso poderia ser okay há um tempinho, mas já saturou. Enfim, um ponto fraco em meio a tantos pontos fortes deste filme que merece ser visto e revisto. 


A estrutura narrativa é caótica como Arlequina, tudo é dúbio como ela, tudo tem mais de um lado e mais de um ponto de vista, como as coisas devem ser. Tudo é muito colorido e tem aquela cara mesmo de quadrinhos transpostos nas telas. A violência explícita, a vingança, a fúria das meninas que cansaram de se submeter aos caprichos e desejos e ordens de homens, tudo isso junto dá uma força ao filme que, embora pareça ser o caso, não faz deste apenas mais uma obra poster do feminismo corrente nas telas. O filme vai além, é realista em meio a tudo aquilo que parece surreal, é incrível e nos envolve e faz com que as personagens cresçam em meio a toda essa violência, com inclusive referências "fofas", como à clássica cena de A Dama e o Vagabundo. 


A foto acima evidencia um outro ponto forte do filme, o bom trabalho com a fotografia e as cores, aqui em um contraste do colorido das roupas da Arlequina com as cores escuras da cena, que combinam muito bem como o que está acontecendo. É quase como um cut-out, e é apenas mais um exemplo do trabalho incrível que foi colocado em ação neste filme. 

Aves de Rapina - Arlequina e sua Emancipação fantabulosa prova que a Arlequina não precisa do Coringa, assim como o premiado Coringa com Joaquin Phoenix provou que o Coringa não precisa do Batman para existir. E que venham mais aventuras de Arlequina e As Aves de Rapina nos cinemas.
Você pode comprar aqui os quadrinhos de "preparação" para este filme, lançado na CCXP como edição especial, caso ainda não o tenha. Eu tenho o meu ;)

Nota:  5 Twizzlers (5/5)

Trailer:


Comentários

Popular

Midsommar - O mal não espera a noite tem um quê de dèjá vu com pontas de originalidade, mas peca por ser longo

Com influências de Corra!, da série Hannibal (principalmente perto do final do longa), com um quê de clima de Anticristo, sem deixar de lado A chave mestra, Colheita Maldita (filme inspirado na obra homônima de Stephen King), O homem de palha, e, como me disse a Ana, que é megafã de Supernatural, inclusive um episódio da série que sacrificava “estrangeiros”  em prol do “bem” da cidade de Burkitsville, no décimo-primeiro episódio da primeira temporada da série, tudo isso também é bem sentido em Midsommar – O mal não espera a noite. Com todas essas referências, senão inspirações, dá para imaginar o desconforto que o filme passa.


Com 147 minutos (171 na versão do diretor), ser longo é um problema no filme. As partes boas são realmente boas e chocantes, o culto e o que parece haver de muito sinistro por trás deles é bem estabelecido, mas os personagens, especialmente os secundários, não são muito aprofundados e, quando começam a “desaparecer”, a tendência é que o telespectador não ligue m…

O Exterminador do Futuro - Destino Sombrio, uma bela repaginada em uma franquia querida

Neste ano vimos o retorno de várias franquias queridas (bem, ao menos queridas para os fãs delas, claro) muitos anos depois do último filme delas, como Rambo, Zumbilândia e Os 3 Infernais, mesmo depois daquele final épico. Então temos agora O Exterminador do Futuro - Destino Sombrio. Porém, enquanto  os outros são continuações diretas, mesmo que muitos anos depois, do último filme lançado, este novo longa  de O Exterminador do Futuro é uma sequência direta de O Exterminador do Futuro 2 - O julgamento final, e veio para provar um de vários fatos que fazem dessa franquia um sucesso: a presença de Linda Hamilton. 
Repaginando a história, o filme já começa com cenas digitalmente refeitas para conectar o segundo da franquia a este. E é simplesmente incrível nessa reconstrução, pois a gente fica se perguntando se eram cenas que não foram para o filme de 1991 afinal, mas com o avanço da tecnologia (ai, ai, ai, rs), não notamos isso até que alguém nos conte a real. 

E temos um trio girl powe…

Mario Kart Tour: o que esperar do clássico para mobile?

Com certeza os amantes de Nintendo já souberam da novidade para celular! A Nintendo, diferente de outras desenvolvedoras, muito dificilmente libera um de seus jogos para outra plataforma. Mas como uma boa mãe sempre olha por seus filhos, ela nos deu esse pequeno presente que é o Mario Kart tour!
Em Mario Kart, Mario e seus amigos disputam emocionantes corridas de Kart em paisagens inspiradas em cenários clássicos da franquia. A versão original possuía apenas karts, mas agora temos também motocicletas e algumas telas necessitam de paraquedas para maior interação. Não é apenas um jogo de corrida, mas intensamente competitivo, com caixas surpresa espalhadas pela tela que te dão itens exclusivos para ganhar vantagem, derrubar os inimigos e destruir amizades. Cada circuito possui quatro telas e a pontuação é somada ao longo delas.


Essa versão desse clássico da Nintendo é um tour pelas telas mais queridas e famosas das outras versões (principalmente os clássicos, como Mario Kart 64 e o novo M…