#momentobusiness - Valorize-se como profissional: freelancer ou não

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Primeiro da minha série de artigos sobre o mundo do trabalho, freelancer ou corporativo. Valorize-se, não se humilhe, seja profissional, mas não escravo. Espero mesmo que curtam. profissionalismo trabalhoescravo Valorização valores


Já era tempo de eu fazer um artigo como esse.
Sim, o país está em crise, mas nem vou discutir questões políticas aqui. Você precisa de dinheiro para pagar contas, ter lazer... sim, ter lazer. Porque vivemos na Sociedade do Cansaço e do Desempenho, isso não significa que tenhamos que aceitar trabalhar em condições precárias em regime de semiescravidão (ou completa, às vezes).

O lazer: Sim, é importante. Seja passar um tempo com sua família, com os amigos, ir a uma churrascada, ler um livro que não tenha nada a ver com seu trabalho, fazer aquele curso por prazer, só porque o tema o agrada (embora eu creia que todo conhecimento seja válido, inclusive já aprendi muito até para o trabalho com filmes ruins, hahahha), a vida não é nem deve ser só trabalho.

Algumas historinhas de terror: Já passei por fases em que aceitava qualquer trabalho, e muitos bem trabalhosos, a preço ridículo e com condições por vezes humilhantes de trabalho. Recentemente, dispensei mesmo um desses clientes, na verdade um explorador (não vou citar nomes por motivos de Ética), porque não só pagava pouco (o que aceitei, então nem estou colocando em pauta aqui que deveria fazer trabalho ruim ou algo do gênero pois isso acho inaceitável). Se você aceitou o trabalho mal pago, é seu dever fazer direito. Mas não é seu dever ser escravo.

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O "cliente" me ligava e mandava mil mensagens mesmo depois de eu dizer que estava indisponível. Chegou ao absurdo de me mandar usar o celular pra trabalhar quando tive problemas técnicos com internet/computador... Chegou a me interromper enquanto eu bebia cerveja e curtia com um amigo e me dizer que não me pagaria pelo trabalho que fiz, pois faltavam páginas... que ele não me mandou! Teve muito mais horror, era pesadelo atrás de pesadelo. Ter que IMPLORAR pra receber?! O que me lembra de uma outra "cliente", que também dispensei, que teve a audácia de dizer que era melhor receber atrasado (atrasos de meses!) a não ter trabalho. Depois que ela falou isso, foi a gota d´água e a dispensei mesmo. Mas esse "cliente" foi bem longe e me atacou até no pessoal.

Já ouvi o infame e famoso (em inglês fica legal - (in)famous) "ah, mas vou pagar a tradução do meu bolso, sou pobre etc.) Respondo mesmo que também paguei meus cursos do meu bolso etc. E o "cliente" que queria que eu revisasse um livro em inglês por um preço tão infame... e depois foi me estalquear no Facebook para me dizer que eu ia me arrepender de não ter trabalhado no livro dele que será o novo Harry Potter (muita presunção). É muita audácia, desrespeito, tudo de ruim.

Pra quem não é freelancer: Carregar os trabalhos dos outros nas costas não é fazer sua parte, não é trabalho em equipe, é exploração. Não digo para não fazer além se você pode, consegue, tem bônus por produção, quer ajudar um colega, mas não deixe que o demônio da folga monte nos seus ombros. Sair no horário certo do trabalho também não é errado. Se você é pago para trabalhar das 9 às 18h, não há nada de errado em sair do trabalho às 18h em ponto. Claro, flexibilidade e negociação são necessários, mas em nenhum dicionário que conheço isso está como sinônimo de exploração e/ou escravidão.



Eu sou uma profissional excelente e dedicada. Esquece isso de dizer que não podemos nos elogiar. Podemos e devemos. Naquilo que somos bons, somos bons e ponto final. Perfeitos? Não, pois sempre temos algo a aprender. Também ser humilde não é sinônimo de se rebaixar, não se elogiar nem aceitar elogios.

Dispensei o "cliente" recentemente e agora só trabalho com quem me trata decentemente e com respeito. E não trabalho por migalhas. Não gastei rios de dinheiro com estudos (e isso inclui tempo, mesmo quando o curso é gratuito, pois pra quem trabalha por produção, tempo é dinheiro) para não ganhar dinheiro nem para comprar pão, menos ainda migalhas aceitarei.

E, sim, dinheiro traz felicidade. Não literal e diretamente. Mas pensem naquelas pessoas que passam fome, não têm como pagar um curso para si ou para o filho, pois não têm dinheiro. No entanto, humilhação, chacota, chantagem emocional fazem de clientes assim péssimos profissionais. Abro mão sem dó, pois me respeito. Vou atrás, capto outros clientes. O mercado está difícil? Sim. Mas não se humilhe. Não aceite migalhas para ser comido pela bruxa de João e Maria.


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