44ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO: MATE-O E SAIA DESTA CIDADE – OU UMA ANIMAÇÃO PECULIAR

 


Vencedor do Prêmio Especial do Júri do Festival de Annecy, o filme polonês Mate-o e saia desta cidade, é uma animação dirigida e roteirizada por Mariusz Wilczynski, com uma sinopse, pelo menos, curiosa:  

 

“Para fugir do desespero após perder as pessoas mais importantes da sua vida, o protagonista desta animação se esconde em um refúgio de memórias, onde todos aqueles que lhe são queridos ainda estão vivos. Com o passar dos anos, uma cidade cresce em sua imaginação. Certo dia, heróis da literatura e outros saídos de desenhos animados da infância aparecem para morar ali, sem serem convidados. Quando nosso protagonista, então, descobre que todos envelheceram e que a juventude eterna não existe, ele decide, levado pelos personagens que habitam sua imaginação, voltar ao mundo real”. 



O filme tem uma narrativa não linear e divaga pelas memórias do protagonista, vemos seus relacionamentos, principalmente com sua mãe, que não é perfeito, assim como qualquer outro relacionamento, e o sentimento de luto, que se mistura com essas lembranças com um toque de surrealismo, transmitido pelas artes e aparecimentos de personagens infantis e o interlaço da imaginação com a realidade. 

 

A animação do filme é única, apesar de se utilizar do 2D, o que não é nenhuma novidade, traz personalidade à obra, e com certeza pode ser reconhecido a quilômetros de distância, principalmente pelos traços do artista. As cores usadas, ou melhor, a falta delas, transmite uma melancolia presente no filme inteiro e orna perfeitamente com a trilha sonora, trazendo uma experiência toda especial. O uso da cor vermelha em momentos específicos, ajuda a trazer a atenção do público a detalhes, como os laços no cabelo da mãe do protagonista, servindo também como auxílio para notar a passagem de tempo durante as cenas.  



Acredito que para entender o máximo possível do filme, é importante um contexto, não é o tipo de obra que é recomendável assistir “às escuras”. O presente e o passado se misturam, e contém diversas referências a obras infantis, que teriam passado batido se eu não tivesse lido a respeito primeiro.  

 

De modo geral, é um longa peculiar, e provavelmente não vá agradar a todos. Tem cenas no mínimo perturbadoras, que necessitam muito de interpretação para saber o que está acontecendo. Mas também de muita sensibilidade, já que trata de assuntos como luto, abandono e solidão. É uma experiência única e que precisa ser apreciada com a cabeça aberta. 




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