#voltaaoscinemas - Bill & Ted: Encare a Música - Nostalgia e Novidade em ação! Aprovadíssimo!


Em tempos de pandemia, é muito bem-vindo um filme carregado de otimismo, mesmo em face a problemas e dificuldades "mundanas", como Bill & Ted: Encare a música vem como uma boa dose mista de alegria, diversão, aventura, enquanto Bill e Ted, agora adultos e tendo de lidar com os problemas da vida adulta e família, além da frustração de ainda não terem, como supostamente tinha sido previsto, criado a melhor música de todos os tempos, e, nessa instância da trilogia (e com possibilidades de um quarto filme, segundo o próprio Keanu Reeves e Ed Solomon, possivelmente um spin-off, sobre o que não vou entrar em detalhes para não soltar spoilers), eles são ainda informados pelos mensageiros do futuro que devem criar não só a melhor música de todos os tempos, como essa música terá o poder de salvar o mundo - e, caso não consigam, adeus, mundo!

 

Passados 29 anos após o segundo filme, o frescor de Bill & Ted: Encare a música é trazido às telonas (e foi minha volta aos cinemas nesse ano, com esplendor!) é ainda renovado não só pelas atuações de Keanu Reeves e Alex Winter, como as personagens femininas, especialmente suas filhas, que roubam as cenas sem apagar o brilho dos protagonistas, as atrizes Samara Weaving (que tem no currículo, entre outros, Três anúncios para um crime) e Brigette Lundy-Paine (Casey Gardner, de Atypical) brilham fulgorosamente não só em suas atuações como nas interações com personagens do passado e do futuro em uma aventura que não foge, mas acrescenta, do que os fãs dos Wyld Stallyns e suas aventuras (e desventuras) já curtiam antes. Especialmente Brigette, como Billie, consegue, com suas atitudes e expressões, não apenas se distanciar de sua personagem em Atypical, como realmente parece filha do personagem de Keanu, refletindo muito de seus traços e de seu jeito de falar e agir. A personagem da Morte (William Sadler) ganha um destaque e uma importância ainda maior neste longa da franquia, trazendo momentos não apenas divertidos como bem emocionantes.

Eu digo para ignorarem (e julgarem por si, se for o caso de "julgar", embora eu ainda seja a favor de simplesmente curtir o cinema pelo entretenimento, mas não vou entrar em uma tese sobre isso aqui e agora) os ressentidos que estão comentando que as mulheres foram colocadas em primeiro plano apenas por causa da atual agenda (ainda bem) inclusiva, enquanto os homens são retratados como "inferiores/problemáticos" (novamente, não entrarei em mais detalhes, porque tudo seria spoiler, mas digo que, se Bill & Ted algum dia foram vistos como "funcionais" e se as pessoas não entendem como ao crescermos e assumirmos os desafios da vida adulta podemos, sim, nos tornar bem mais disfuncionais - o que é bem abordado e questionado e resolvido de forma bem humana e interessante no filme), eu não entendo em que bolha essas pessoas vivem. Não que não tenham o direito de não gostar da obra, nem de questionar pontos dela, mas presumir que as "meninas" foram colocadas ali "apenas" para servirem a uma "agenda inclusiva e politicamente correta" me parece um pré-ranço já bem estabelecido entre vários homens (e, infelizmente, também entre mulheres machistas e presas ainda às visões ultrapassadas do patriarcado), mas especialmente homens brancos, que por muitíssimo tempo foram os dominantes em cena (e por trás delas) na história do cinema (e na História da Humanidade, precisava fazer esse adendo). 

É diversão garantida para fãs do estilo, da dupla principal, de um feel-good movie, e, em forma de elogio, bem Sessão da Tarde, trazendo de volta a franquia, sem decepcionar, seguindo uma tendência que estamos vendo no cinema, como já foi feito com O Exterminador do Futuro e Zumbilândia, entre outras, continuações (algumas bem-vindas, outras, não) anos depois de histórias queridas das décadas de 1980-1990. 

"Às vezes, as coisas não fazem sentido até o fim da história."

Ah, sim, a comédia é pontual (eu fujo sempre e eternamente daquelas comédias à la Adam Sandler) e começamos a rir já logo no começo do filme, e não é difícil nos conectarmos e relacionarmos com um, dois ou vários ou até todos os personagens, e só uma menção sem estragar nada da história, é que teremos presenças de músicos ilustres do passado se unindo a essa aventura de encarar a música. Além disso, a escolha para o subtítulo, tanto no original quanto em sua tradução para o português não poderia se encaixar ainda mais perfeitamente na trama, com o trocadilho de encarar a criação da música que salvará o mundo, e com o significado da expressão em inglês, que quer dizer "aceitar a responsabilidade por algo que você tenha feito". 

Então, que tal se eu simplesmente parasse de falar, digo, escrever sobre o filme, e meramente os convidasse para irem ao cinema encarar essa música e assistirem a Bill & Ted: Encare a música, que estreia hoje? (E, caso você curta histórias que mesclam nonsense, histórias futuristas, cabines telefônicas que viajam no tempo, e, obviamente, Keanu Reeves - para mim, um filme ruinzinho com Keanu ainda vale a pena por ele -, mas não tenha visto os dois primeiros filmes, eu os convido a assistirem a ambos, Bill & Ted: Uma Aventura Fantástica (1989) e Bill & Ted: Dois Loucos no Tempo (1991), antes de curtirem o novo filme.)
 
Ah, sim, e podem convidar a família e os amigos, com certeza!.
 

Nota: 5 de 5 acordes que juntos têm o poder de unir o mundo, por mais clichê que isso possa parecer - ainda mais em um momento de tantas dissidências e catástrofes nacionais e mundiais... Encarem a música!

Trailer:
 

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