A Dama Oculta - Cadê a Sra. Froy???

A Dama Oculta (1938) ou The Lady Vanishes, dirigido por ninguém mais, ninguém menos do que Alfred Hitchcock, é um filme intrigante, divertido, mas que podemos abrir algumas discussões hoje em dia, principalmente referente a mulher.  

Acompanhamos um grupo de pessoas que estavam esperando a chegada do trem em um hotel, mas por causa de uma nevasca, eles são obrigados a aguardar até o dia seguinte para conseguir viajar. Então conhecemos Iris, uma jovem rica, que está voltando a Londres para se casar, depois de um longo período viajando. E Gilbert, um musicista folgado, mas carismático. Tive alguns problemas com este personagem, por causa de alguns comportamentos em relação a Iris, mas se ignorar esses aspectos, até consegui me afeiçoar um pouco a ele.

Ainda no hotel, Iris conhece a Sra. Froy, que posteriormente a acompanha na viagem de trem. Elas tomam chá, conversam, e até mesmo interagem com outros passageiros. Mas então essa senhora desaparece, e todo mundo alega nunca ter a visto. Mas Iris não se convence, e começa a investigar, com a ajuda de Gilbert.  

O longa é bem divertido, com personagens com teor de alívio cômico, como os dois amigos viajando juntos que só querem saber como está o placar de um jogo que estava acontecendo em Londres. Temos também um homem com sua amante, que é um babaca, e até um mágico italiano de caráter duvidoso. Eu gostei bastante dessa variedade de personagens, e do ambiente do trem, em que se passa a maior parte do filme. E para uma obra de 1938, imaginei que seria mais arrastado e que me incomodaria pelo estilo narrativo, mas na verdade prendeu bastante do início ao fim. E me deixou bem curiosa para saber o que aconteceu com a Sra. Froy. Inclusive o final me surpreendeu bastante, gostei do mistério que foi construído e da resolução que deram para a história.

Agora, como nem tudo são flores, alguns aspectos do filme me incomodaram bastante. A história é envolvente, intrigante, mas não consegui ignorar alguns aspectos da sociedade da época, retratados no filme, principalmente os que envolviam machismo, apesar que algumas pessoas possam usar como desculpa esse contexto histórico e cultural para justificar essas ações. Mas não acredito que um homem estranho entrar em um quarto de uma mulher, que está dormindo, sem ser convidado é considerado ok, apesar de não ter tido nenhum tipo de abuso, achei bem desrespeitoso e sem graça.


Além disso, quando Iris começa a discutir com outros passageiros sobre o desaparecimento da Sra. Froy, e que teoricamente ninguém teria a visto, ela é basicamente dada como louca e histérica, até insinuam coloca-la em um hospital para ela “descansar”, e que provavelmente estaria tendo algumas alucinações, por causa de uma pancada na cabeça que sofreu antes de entrar no trem. Uma outra personagem feminina, também não tem muito respeito dos homens, que é a amante, ela é ignorada, manipulada e dada como histérica também, apesar de ser menos explicito do que a Iris.

Gilert, foi um personagem que eu comecei odiando, e terminei tolerando. Não consegui perdoar algumas atitudes machistas que ele teve desde o começo do filme, e, diga-se de passagem, não sofreu nenhuma consequência por causa disso.

Hitchcock fez um trabalho de direção maravilhoso! Os cenários foram super bem construídos, e junto com os movimentos de câmera dentro e fora do trem deram muita vida e dinamismo ao filme, e é claro, com um suspense crescente e algumas reviravoltas. O que ajudou o longa a não ficar cansativo e "parado", está sempre acontecendo alguma coisa.




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