#MomentoTeleCine - A Luz no fim do Mundo - E a luta de um pai em manter sua filha a salvo


É em plena pandemia que escolhi um filme que retrata as consequências de uma doença devastadora. Acompanhamos a história de um pai (Casey Affleck) e sua filha, Raj (Anna Pniowsky), que fingi ser um menino quando estranhos estão por pertos. Eles vivem como nômades, e em constante fuga. Acompanhamos os dois após vários anos do começo desta doença, que dizimou boa parte da população feminina do mundo. E é basicamente isso, os dois em busca da sobrevivência, enquanto se escondem de qualquer um que possa levar a menina embora, não tem uma linha narrativa muito presente, em que se percebe uma evolução na história, é apenas acompanhar a rotina deles, as fugas e entender o perigo desta nova realidade. 

Não que seja um filme chato, o pai e a Raj são carismáticos e é bem fácil se importar com eles, principalmente com a menina que praticamente nasceu neste caos. A cena inicial é super longa, sobre a história para dormir, que até é mencionado depois, mas faz mais o papel de apresentar a relação de pai e filha e criar essa empatia dos dois com o público. Mas por que gastar uns dez minutos com isso? Sendo que poderia ter sido abordado de uma forma mais dinâmica. Enfim, o começo do filme como um todo, mais ou menos a primeira meia hora é assim, mais lento e explicativo sobre o mundo em que estão vivendo. E mesmo assim fiquei com várias perguntas sobre a história, digamos que pontas soltas não foram amarradas e o final ficou bem em aberto. Senti que a história do filme não teve começo nem fim, recortaram o meio e exibiram. O que é bem triste, porque eu gostaria de saber mais sobre o que aconteceu. 


Enfim, depois desse começo mais introdutório, o filme ganha mais ritmo com o aparecimento de mais personagens, e a presença de flashbacks, que eu pessoalmente adoro, quando conhecemos a mãe de Raj, interpretada pela maravilhosa Elisabeth Moss, que eu queria muito que ela tivesse mais tempo de tela.  

O longa também aborda temas como solidão e paternidade. É muito melancólico ver a vida dos dois, pai e filha, como se fossem os últimos seres humanos da Terra, tentando se manter isolados, e Raj querendo ter uma vida o mais normal possível, como escolhendo suas roupas e tendo seu próprio quarto. E o pai se virando da melhor forma possível para protegê-la, já que não se sabe ao certo o porquê de estarem atrás dela, mas esse homem faz o impossível para mantê-la em segurança. Se parar para analisar bem ao fundo, o longa tem suas camadas, que podem gerar discussões, como a conversa sobre moral e ética, ou a preocupação sobre a puberdade da menina, que pode ser discutida tanto fora como dentro da narrativa. 

Apesar do tema apocalipse ser um tanto batido, principalmente relacionado a doenças. Eu gostei de como Casey Affleck, que sim além de atuar, roteirizou e dirigiu o filme, fez essa abordagem. De forma direta e seca, mas também sentimental e melancólica, apesar de sentir falta de um contexto melhor, como já mencionei antes.  



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