#Streaming - A2Filmes - Sem Rastros: Ah, aquele plot twist! E a eterna profundidade do ser e do perder...

Na imagem, o título e nomes dos atores e atriz principais, os três um ao lado do outro, sendo que o ator Thomas Jane tem um ar e olhar sinistros, a atriz Anne Heche parece perdida em seu próprio mundo, especialmente pelo olhar, e o ator Jason Patrick, o xerife, olha para a esquerda de esguelha, para os dois. Abaixo da separação com o título SEM RASTROS, UM FILME DE PETER FACINELLI, há uma viatura policial à esquerda, outra ao fundo, uma van de acampamento e um homem com uma lanterna à direita, cortados pela típica faixa de cena do crime. Abaixo, a pergunta: ATÉ ONDE VOCÊ IRIA PARA ENCONTRAR SUA FILHA?


 

Eu raramente coloco sinopse aqui no site, prefiro ir direto às impressões sobre o filme. E o trailer no final, mas essa vai ser uma crítica às vezes, e vocês entenderão o porquê.

Sem Rastros (The Vanished), que já está disponível nas principais plataformas digitais  (NOW, Looke, Vivo Play, Google Play, Microsoft e iTunes) em cópias dubladas e legendadas (com áudio original)  

"Wendy e Paul descobrem que sua filha Taylor desapareceu sem deixar vestígios durante uma viagem em família. Quando a polícia não tem nenhuma pista, os dois não param por nada para encontrá-la. Assumindo a investigação, o casal suspeita de tudo e de todos, enquanto busca evidências para provar que ela foi sequestrada. Eles se envolvem com outro casal, e suspeitam do gerente do camping onde eles estavam. Mas a paranoia aumenta e uma série de eventos muda os rumos da história para um final surpreendente!"

Até aí, seria de se pensar em mais um filme de pessoa desaparecida no estilo de vários que já vimos, certo? Muitíssimo errado. 

Ainda mais depois de ver o trailer, e por isso vou inverter as ordens dos fatores nessa crítica, foi que minha vontade (que já era grande), especialmente pelo uso da palavra "paranoia", rs, aumentou.

Trailer:


 

Em uma espiral descendente de desespero, paranoia e mortes, vamos nos deparando com um enredo bem armado e amarrado que simplesmente faz com que a gente não queira sair do sofá, ou da cama, ou de onde você estiver assistindo ao filme nesse frio, rs, até o final. Que é, sim, surpreendente. Eu estou bem acostumada com filmes whodunnit e, muitas vezes, consigo sacar, pelos elementos mostrados em cena, mesmo que discretamente, vou juntando as pistas e meio que várias vezes já imagino o final. Não foi o caso. Preciso rever para "caçar" as pistas que imagino que foram sutilmente inseridas pelo diretor (que também assina o roteiro) do longa, pois foi simplesmente de me deixar sem palavras no dia em que vi o filme.

Embora eu tenha visto críticas negativas de "críticos", nem liguei e segui minha intuição. E não me arrependi. Quantas vezes quase morri de tédio em filmes aclamados pela crítica, odiei filmes que ganharam Oscar, e que são pretensiosos e cheios de flair para disfarçar a falta de um motivo da existência da obra em si? Tenho muitos exemplos, inclusive com críticas aqui no site.

Para quem estuda cinema, é cinéfilo, ou algo do gênero, ou, para quem tem uma mínima noção de que nenhuma obra foi feita para agradar a todos, é óbvio que atrai principalmente os que curtem o estilo. Mas eu garanto que o plot twist é incrível, inesperado, muitas vezes eu me via torcendo pelas pessoas erradas, e seguindo as mesmas pistas que a polícia (quantas vezes em Lúcifer, por exemplo, isso não acontecia, do tipo, não, amigos, estão indo pelo caminho errado!)

Na imagem, Paul e Wendy ddentro do trailer, com Wendy de robe tendo acabado de saído do banho e Paul com uma arma de fogo na mão, no canto esquerdo, e Wendy olhando para ele com ares inquisitivos não exatamente no meio nem no canto, mas sim na segunda de "3 partes" do enquadramento.


E eu me perdi na trama (no bom sentido) como alguém que se perde em uma trilha no meio do trekking. O desaparecimento de Taylor antes de dez minutos de filme já nos deixa pensando, como assim? E, em meio à paranoia, atos alucinados por parte dos pais, atitudes suspeitas pelo pessoal local, segredos policias e tudo o mais, somos envolvidos em uma história que, sim, prende do início ao fim. Imaginem que vi o filme com a minha gata em cima da minha bexiga, rs, e me aguentei quase até o final e, quando vi, estava realmente quase no final, e não parecia, ao mesmo tempo em que parecia, que havia passado tanto tempo assim.


Aviso de gatilhos: O filme lida com perdas, luto, uso de drogas, pornografia infantil, voyeurismo, crueldade com animal, então esse é um aviso para quem tem gatilhos muito fortes com esse tipo de coisa. 

 

Mas não é um filme que vangloria essas coisas, de forma alguma, embora mostre, como ocorro muito na realidade, que bandidos ou não acabam "getting away from murder" [cometendo assassinatos - e outros crimes - e saindo ilesos]. Não chega a ser pesadíssimo, mas também não é leve: é envolvente e, mesmo que muitos (ou quase todos) os personagens tenham personalidades detestáveis, mesmo que você não sinta empatia por nenhum deles, você vai querer saber, afinal, o que aconteceu com a Taylor, em meio a muitas outras coisas insanas que acontecem ao mesmo tempo e paralelamente.

O tom de thriller vai aumentando a cada morte ou insinuação ou revelação de algo mais sinistro do que "apenas" o desaparecimento de uma criança. A tensão vai escalando, a paranoia e a histeria também. Infelizmente, não posso entrar em mais detalhes aqui para não revelar nada que seja e que possa estragar essa experiência de assistir ao filme. 

Na imagem, o trailer à direita, um pouco da paisagem à esquerda e o estranho casal Paul e Wendy meio que se reconfortando, quase com sorrisos nos lábios, com ele segurando com as mãos ambas as faces do rosto dela, e as mãos dela na cintura dele.


Eu amei o final e fiquei sem palavras. Em momento algum achei implausíveis, tanto final quanto trama, ainda mais em se tratando de um lugar afastado, em que cada "habitante" tem e luta contra seus próprios demônios e com suas próprias perdas, além das pessoas que vão lá acampar (em pleno inverno, algo que até os que lá habitam acham incomum). 


Nota: 5 de 5 colares de contas vermelhas



Encerrando com uma citação de uma crítica (traduzida) internacional de que especificamente gostei, além de um trecho de um artigo acadêmico, com suas respectivas fontes:


"O título original do filme era “Hour of Lead,” um trecho de um verso do poema [After a great pain a formal feeling comes - Depois de uma grande dor, vem um sentimento solene], que aparece digitado em branco sobre fundo preto na abertura do filme, antes dos créditos de abertura. Dá para ver porque a distribuidora do filme poderia não querer este título. O longa não é "leaden" em nenhuma de suas acepções da palavra em inglês, nem genérico [como eu comentei logo no começo] como o título original em inglês poderia sugerir (tipo, nada de mais um Taken]. Trecho traduzido e comentado por mim daqui. Mas o poema tem tudo a ver com o filme!



"No poema After great pain a formal feeling comes, nota-se a dor da perda de um ser amado, como também, a sua incapacidade e imobilidade diante dessa circunstância, situação essa que não só atinge o espírito, mas também ao seu corpo." Não vou citar o restante dos comentários sobre o poema (que abre o filme e que talvez possa levá-los a 'sacarem' pelo menos parte do plot), mas pode /ser encontrado neste artigo acadêmica, na página 14 de 18 do pdf. É perfeito, muito bem pensado e encaixado, mas sugiro essa leitura ao final do filme. Se você não ficar um tempo em estado de choque e sem palavras como eu. 

Ps.: Creio que Sem rastros ficou um título perfeito que diz sem dizer muito sobre a obra.

Bom filme! 🍿☺

 

 

 

 

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