Atualizado: A série Lúcifer foi salva pelo Netflix! E minha Parábola: Lúcifer, Um Amigo


Não sei vocês, mas imagino que sim, eu sofro com o cancelamento de séries. Lúcifer acabou de ser cancelada. Sim, eu ainda não tinha visto a série, confesso, mais por falta de tempo do que por desejo de vê-la. Era a próxima da lista. =/
Aqui já postei uma fanfic que fiz do Lúcifer de Sandman.
Agora posto a parábola que serve como uma prequel para ela. 

Atualizado em 16/06/2018 - E yeees, a Netflix salvou a série! Teremos quarta temporada de nosso anjo caído predileto <3

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Lúcifer viu-se num deserto, espáduas sangrando, corpo nu envolto em líquido vermelho, sentindo tanto quanto qualquer mortal o frio noturno e os grãos de areia das dunas penetrarem em seus cortes como finas adagas elaboradas pelo mais talentoso artesão, o Criador. 
Aquele que era o portador da luz, o mais belo e o mais inteligente dentre os anjos, fora banido do céu e esperava menos da humanidade que lhe chamaria demônio do que ousaria esperar sequer uma centelha de luz vinda dos céus para salvá-lo. 
Na noite fria, recém caído, temia por procurar abrigo entre os mortais. Dias foram passados; Lúcifer andava e, sangrando, procurava um lugar para descansar de seu tormento. Chegando a uma vila, após dias de exaustão, seu rosto banhado por lágrimas cor de vinho tinto era evitado por todos, homens e mulheres, que faziam o sinal-da-cruz à sua aparição e fechavam todas as portas, proferindo blasfêmias. 

Lúcifer, que até esse momento pretendia manter-se neutro na guerra que havia tido início com a queda dos anjos, passou a nutrir tamanho ódio por aqueles tão amados pelo Deus que lhe ferira e abandonara, decidindo que, onde sua trilha de sangue ficasse, desarmonia reinaria e os mortais conheceriam o reflexo do inferno na Terra. Ele percorreu todos os lugares desse planeta para, em cada sítio em que pisasse, fosse recebido com ameaças ou mesmo pedras... Suas palavras eram ódio e orgulho, pois jamais pedira auxílio... A essas juntou-se lucidez, visto que passou a arquitetar seus ideais de condenação dos humanos com uma frieza oposta ao calor do fogo do sol que fazia suas feridas doerem cada vez mais... 
Em um vilarejo pobre, sentado à sombra de uma macieira, Lúcifer descansava de sua peregrinação, quando de encontro a ele veio uma menina de uns quatro ou cinco anos de idade. A criança estendeu seus braços ao redor do pescoço dele e conduziu-o até uma nascente onde Ele banhou-se, limpando o vermelho de suas feridas e de seus cortes, tornando-se Lúcifer novamente, a imagem do que fora um anjo. A menina estendeu-lhe uma túnica branca, a qual ele vestiu, mirando os olhos dela, de um azul infinito como o oceano, cor de céu... 

Sentados os dois à beira da nascente, brincando com os pássaros... foi então que Lúcifer notou no íntimo daquela alma a dor pela ausência de poder da fala. Como bênção, o anjo caído deu voz a ela e o poder da 
cura. Naquele instante, as asas dele começaram a se tornar visíveis e ainda eram brancas. 
O que era para ser bênção foi tomado pelos pais como maldição... e a história da menina que vendeu a alma ao demônio em troca de seus favores era contada pelos chefes de várias tribos ao redor do fogo. Um gesto de amizade fora condenado como se fosse redenção ao Mal. 
E um Mal maior estava por vir... 
Os relâmpagos e trovões são brados de Lúcifer sobre a Terra... 
Créditos da arte

Mas aquela criança, quando morreu, não visitou o anjo caído em seus domínios. A alma dela era pura e, por seu ato sublime sem espera de recompensas, sua alma ascendeu direto aos céus... 
Autora: Ana Death Duarte
XXVI-IV-MCMXCVII 
Texto registrado. Proibida cópia e/ou reprodução sem os devidos créditos.   

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