Querido menino, um retrato conscientizador da dependência química



Nic parece ter tudo na vida. Uma boa família, uma vida escolar exemplar… mas ele acaba entrando em um turbilhão de destruição por causa das drogas. 

“Querido Menino” aborda o vício em drogas sem tentar escandalizar mostrando todas as cenas deprimentes da vida do usuário, como se vê em filmes como “Eu, Christiane F.”, “Diário de um adolescente” e vários outros do gênero. Com uma pegada mais dramática e sem um tom moralista, o filme mostra a espiral descendente de um jovem que parece ter tudo e mesmo assim, acaba se perdendo nesse vício. É o retrato da luta de uma família para salvar o filho e o próprio agregado familiar, mostrando o sofrimento, as frustrações, tanto do viciado quanto de seus familiares, especialmente o pai. É doloroso ver uma pessoa vista como “promissora” se perdendo nas drogas e arrastando os familiares para dentro de um círculo triste de desespero, luta, frustração, enquanto todos tentam salvar o rapaz de algo tão terrível como o vício em drogas. 



O filme é bem-sucedido ao nos entregar um retrato realista, frustrante às vezes, sim, enfurecedor em outras, de como as drogas podem arrastar para dentro de sua espiral mortal qualquer um. É bom para lavar um pouco o pré-conceito de que as pessoas que se envolvem com drogas são bandidos, sem família, pobres… infelizmente, é um mal que pode atacar qualquer um. E o filme é baseado em fatos reais, baseado no livro best-seller de David Sheff e no livro de memórias de seu filho, Nicolas Sheff. 



O longa, que conta com Brad Pitt na produção, e que leva o título, em inglês, da canção “Beautiful Boy”, de John Lennon, tem Steve Carell como o pai, que cada vez mais me surpreende nos dramas, conseguindo se sobressair mais do que nas comédias, com uma carga tensa e uma atuação honesta e profunda no papel do pai que tenta salvar o filho desse terror real que é o vício em drogas. 

Trata-se da jornada de um pai tentando salvar o filho, mas vai além disso, e não é exatamente uma jornada de herói, mas sim de um ser humano tentando salvar o outro, no meio da qual há recaídas, há um tempo sem uso, há esperança, luz, volta à escuridão, com uma carga dramática tensa, em que vemos inclusive os irmãos pequenos de Nic, muito bem interpretado por Timothée Chamalet, de “Me chame pelo seu nome”, imersos nessa situação, sabendo do que está acontecendo com o irmão. Não há como não se emocionar nem tentar se colocar no lugar daquelas pessoas. É triste. É tenso e intenso, mas tem um tom de esperança, mesmo que o sucesso do tratamento nã tenha números altíssimos. Mesmo que as vidas de muitos, não só os usuários, como amigos, parentes e outros que os cercam sejam arrasadas no processo. 



Sem o choque do incrível “Trainspotting” e os outros citados na abertura desse texto, não completamente inovador, mas seguindo uma linha mais de conscientização do que da simples, mesmo que válida, provocação de choque por parte do espectador, “Querido Menino” é um drama sem exageros nem firulas, extremamente recomendado até mesmo para aqueles que ainda acham que isso não é doença, que é vagabundagem, ou até mesmo para aqueles que têm amigos e/ou parentes vítimas dessa terrível doença que é cair nos braços terríveis das drogas.

4 telefonemas cheios de desespero (4/5)

Trailer:


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Antecipadamente agradeço, A Capitã



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