O retrato de Dorian Gray: a corrupção da inocência


Se você não assistiu ao filme nem leu o livro, certamente já ouviu falar sobre Dorian Gray de outras formas. O filme "A liga extraordinária" e a série "Penny Dreadful" trazem ótimas versões desse personagem criado pelo escritor irlandês Oscar Wilde, mas nenhuma realmente explica a origem de sua maldição e o real significado de seu precioso retrato.


Dorian Gray nos é apresentado como a personificação da inocência. Um garoto puro e extremamente educado que entra em uma batalha interna após receber um retrato de presente e perceber o quanto é belo (e também que aquela beleza acabaria um dia). Ao ser perguntado se venderia a alma para manter sua beleza e responder que sim, Dorian se conecta ao retrato. Ele nunca muda, envelhece ou sofre consequências de seus atos, mas o retrato revela a verdadeira essência de sua alma, modificando sua imagem pouco a pouco, até se tornar um terrível demônio.

          "Eu represento todos os pecados que você não tem coragem de cometer."

Dorian sofre extrema influência de Lord Henry, que prega uma vida de luxúria e abusos que nem ele mesmo tem coragem de cometer, mas que influenciam Dorian a experimentar tudo o que o admirado amigo dita. De um garoto bondoso a um homem fútil e egocêntrico, Dorian é a personificação dos efeitos das tentações da sociedade sobre a inocência. Com certeza, uma grande crítica contemporânea, mostrando o efeito do comportamento social sobre o indivíduo.

Dorian não é predisposto ao mal. Como todos nós, ele é influenciado pelo ambiente e pelo que lhe é tentador, sem distinção de bem ou mal. Ao saber que a mulher que "ama" se suicida por ser abandonada por ele, Dorian tem seu único momento de remorso, que é apagado por Lord Henry ao dizer que ela era, realmente, uma mulher única, pois imortalizou Dorian em seu ato desesperado, aumentando ainda mais seu ego.



"Amor?

Uma ilusão.

Religião?

O substituto moderno para crença.

Você é um cético.

Jamais. Ceticismo é o começo da crença.

O que você é, então?

Se definir é se limitar."

Ironicamente, ao ver que Dorian viveu a vida que Henry pregou e não sofreu as consequências, Henry começa a temer o amigo. Em um momento de desespero, Dorian toma ações para "embelezar" sua alma, mas o quadro se torna ainda mais assustador devido à sua vaidade e falta de boas intenções. Dorian apunhala o quadro, desesperado por ver sua alma apodrecer. Pouco tempo depois, um velho deformado e irreconhecível é encontrado no chão, com uma faca em seu peito, ao lado de um retrato perfeito de Dorian Gray.

"Algumas coisas são preciosas por não durarem."



Como uma romântica otimista, essa história foi a primeira que me fez gostar mais do filme (de 2009) do que do livro, e por um motivo simples: O Dorian do filme realmente ama alguém, realmente busca a redenção e, de certo modo, a encontra. Independentemente das adversidades, nós sempre esperamos que a bondade surja e salve o protagonista Essa é a grande diferença que fez todo o sentido para mim. Não consigo acreditar em uma vida em que, nem por um momento, buscamos redenção e paz de espírito por motivos puramente altruístas. 

Se há uma história que nos traz valores realmente importantes, é "O retrato de Dorian Gray".  Oscar Wilde nos ensina, sem intenção alguma, a buscar nossa verdadeira essência e fugir da opinião social. Cada um de nós tem algo importante dentro de si, que desejamos proteger e guardar em nosso interior. Independente das grandes massas, mídias e dos veículos de comunicação, devemos buscar nossa verdade. Porque, afinal, "viver é raro. A maioria apenas existe."


Leia também a resenha do livro aqui.

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Antecipadamente agradeço, A Capitã


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