Vox Lux - O preço da fama, um filme de Brady Corbet


Em Vox Lux, o que parece ser um filme sobre a trajetória de uma cantora acaba sendo muito mais do que isso, contando até que preço uma pessoa pode pagar pelo estrelato e pela fama.

Inicialmente, o filme começa com um estilo bem diferente do que o público esperava ao mostrar o atentado na escola onde a protagonista estudava, e, mesmo com o estilo mais violento, o diretor Brady Corbet conduz bem a cena, apresentando um pouco a interação entre a classe e a desconfiança que é logo introduzida, o que pega o público de surpresa. A cena também mostra um pouco da personalidade companheira e caridosa de Celestes (interpretada no início por Raffey Cassidy) ao tentar ajudar o criminoso que provocou a morte de seus colegas, mesmo não tendo sucesso.


O roteiro faz um bom uso da narrativa, ao apresentar informações sobre a vida de Celeste, principalmente para contar a relação afetiva com a irmã que, embora não tenha muita importância para o tema principal do filme, é importante para o desenvolvimento da protagonista, e a narração de Williem Dafoe é bem direta, contando sobre essa relação aos poucos durante o filme, e o tom  de sua voz acaba dando um certo chame ao longa, junto com o estilo do filme. Embora a narrativa seja bem utilizada, ela deixa o ritmo parecendo um pouco um documentário, quebrando o estilo dramático que foi estabelecido.


O ritmo também tem algumas falhas, muitas cenas são arrastadas ao contar o início da carreira de Celeste, e mesmo abordando temas interessantes, o diretor não deixa as coisas muito didáticas para o público, fazendo com que pareça que o ritmo do filme é  lento e desgastante, quando tinha potencial.

Celeste tem um bom desenvolvimento, mostrando como aos poucos a fama e a rotina agitada a transformaram na cantora de sucesso que se tornou.


Raffey Cassidy mostra uma Celeste mais tímida e feliz com sua vida. Mesmo depois de sobreviver ao atentado que quase tirou sua vida, ela tenta superar esse trauma ao se dedicar à música ao lado de sua irmã, que tanto apoiam uma a outra, e o jeito retraído e fechado da atriz acaba combinando com a personagem.

Quando Natalie Portman entra no filme, ela entra de cabeça na personagem, interpretando uma Celeste mais confiante, mimada, que se importa principalmente com sua carreira, mostrando de modo frio e cruel o jeito como ela trata agora sua irmã e até mesmo sua filha (que também foi interpretada por Raffey Cassidy).


Embora Jude Law esteja se empenhando em seu personagem, a direção de atores o deixa um pouco de lado, fazendo com que o personagem caia no estereótipo do agente ambicioso e cretino que só pensa na carreira de Celeste, mostrando se importar pouco com seu bem estar, e a partir da metade do filme, ele é quase esquecido, mas que acaba continuando na história até o fim, mesmo com todos os desentendimentos com Celeste.


Há bons enquadramentos e planos sequências muito bom ao expressar os sentimentos da protagonista, ao mostrar na tela o desespero que sente devido ao seu trauma, utilizando bem a mise en scène de forma que não deixa a cena expositiva.

O desfecho não deixa uma conclusão bem estabelecida, mesmo ao apresentar um traço sobre a recuperação de Celeste em relação a seus traumas, deixando a sensação de que o diretor decidiu não filmar o restante da história e finalizar nesse ponto ao tentar impactar o público sem sucesso.


Vox Lux tem alguns problemas na direção e em estabelecer um ritmo neutro, mas compensa no desenvolvimento da protagonista.

NOTA: 6 clips para o sucesso. (6/10)

Trailer:











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