Rindo à toa – humor sem limites - A comédia após a ditadura no Brasil


Após abordar o trabalho dos humoristas durante a ditadura militar em “Tá Rindo de quê?- Humor e ditadura”, os diretores Cláudio Manoel, Álvaro Campos e Alê Braga voltam para abordar novamente o ponto de vista dos humoristas, mas dessa vez para falar do humor pós ditadura e o nascimento do que é considerado “politicamente incorreto” em Rindo à toa - humor sem limites.

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O filme já abre com os grandes nomes do humor falando sobre o fim da ditadura e de como eles vão se adaptar após o fim da censura extrema que impediu muitos de trabalhar, e mostrando também o que estava por vir, já que agora eles tinham novamente liberdade de falar e criticar sem que sofressem severamente por isso.

Embora esse tema que os diretores escolheram para iniciar esse debate seja interessante, acaba sendo colocado em segundo plano, dando importância para as historias de origens de formações de grupos humorísticos, de programas de TV e revistas do gênero, e raramente esses comentários falam da contribuição dessas mídias para a criação de uma nova abordagem para renovar a comédia brasileira.

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A montagem dessa sequência também dá mais importância para as cenas de origens, dando mais tempo em tela para que esses comediantes falem em detalhes sobre o que os incentivaram a entrar para o humor e o que eles pensavam antes deles criarem o que eles fizeram, deixando pouco espaço para as cenas em que se comenta algo relevante ao tema principal do filme. No entanto, mesmo tendo pequenas cenas rápidas, esses comentários são cheios de conteúdos de como funciona o humor que eles estabeleceram, e de criações de regras sobre não seguir regras, falando também dos atos e das consequências de suas escolhas de ultrapassar o limite do que é correto a se dizer.

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A direção acerta quando eles começam a falar da crítica social dentro do humor, e de como isso é uma ferramenta universal para se abordar as questões sociais do país, como política, de como classes sociais mais altas enxergam classes menos favorecidas, da mulher bonita, sensual e burra, contando não só o trabalho de criticar esses temas, mas também de falar da repercussão junto ao público,  e de como dividiu opiniões, por um lado das pessoas que adoraram e se identificam com tal personagem ou situação, e de outro das pessoas que não entenderam a piada construída em cima desse tema e que acabaram se sentindo ofendidas, falando da ignorância deste publico de entender o que foi mostrado.

Embora seja pouco falado, o filme fecha bem ao mostrar os artistas comentando sobre o papel do humor nos dias atuais e se eles fariam tudo de novo, isso de usar uma linguagem mais agressiva e direta ao tratar de temas/assuntos necessários que o público, na maioria das vezes, não gosta de ouvir.

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Mesmo com vários temas interessantes abordados, o filme perde muito a oportunidade de se aprofundar mais neles, ao privilegiar a carreira de vários humoristas e de programas de humor em diversos pontos do filme, mas também mostra como o humor é a maior forma de fazer uma critica social.

NOTA: 5 piadas hilárias de mau gosto. (5/10)



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