Brinquedo assassino (2019) --- afinal, esse remake é bom?


Diferentemente da versão de 1988, dirigida por Tom Holland, em que Chucky era um serial killer que transferiu a alma para o corpo de um boneco, nessa nova versão de Brinquedo Assassino, dirigida por Lars Klevberg, Chucky é um robô de inteligência artificial. Essa sacada de transformar um dos maiores assassinos do cinema em uma máquina sedenta por sangue, movida por um instinto assassino, acaba funcionado devido ao assunto em questão, da A.I. que está em nossa realidade, o que assusta bastante o espectador, tanto o boneco, quanto o tema das  A.I.s abordado sob esse ponto de vista.

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O diretor também faz uma crítica sobre o trabalho abusivo dos asiáticos em fábricas de grandes corporações americanas, o que tem apenas a função de impulsionar a trama, e fica por isso mesmo, sendo esquecida pelo roteiro e não é aprofundada.

O roteiro não tem grandes renovações no gênero, é basicamente a mesma coisa de vários outros filmes de terror, mas a forma como o diretor conduz o ritmo do filme é ótima, servindo-se de vários clichês, que são muito bons e precisos, principalmente para construir o clima tenso e apavorante, fazendo bom uso do jump scare, segurando o grande susto até o máximo possível.



A construção da amizade entre Andy e Chucky também é bem feita. Mesmo sendo um boneco, o público sente que Chucky está desenvolvendo fortes laços de amizade com Andy, e o diretor consegue fazer isso de forma amigável, carinhosa, bizarra e desconfortável ao mesmo tempo. Há algumas falhas no roteiro em que o diretor simplesmente ignora algumas coisas para dar continuidade à trama, em vez de encontrar uma solução plausível para a narrativa.


Alguns clichês bem genéricos como do babaca que namora o parente mais próximo do personagem estão presentes na narrativa, e o diretor ainda se foca demais nesse personagem, transformando-o em um babaca completo, tudo para o público não sentir remorso pelo personagem.

O design de Chucky é um problema que incomoda um pouco o espectador, já que em sua forma “fofa”, ele já assusta bastante, não nos convencendo de que o boneco é feito para crianças, em vez de deixá-lo completamente assustador quando Chucky revela sua verdadeira natureza sanguinária.


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A voz de Mark Hamill (Star Wars) se encaixou perfeitamente com esse novo Chucky. Ele faz uma voz suave e profunda com leves tons de alterações entre o passivo e o agressivo, sabendo bem quando um tom deve ser exaltado mais do que o outro. Esse novo Chucky é bem mais estratégico, fazendo mortes mais elaboradas e quase inescapáveis. Um dos poucos problemas são as frases de efeitos bobas que o personagem solta para causar um tom cômico ao ocorrido, quebrando totalmente o clima de tensão e horror da cena.

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A construção de Andy (Gabriel Bateman) é bem feita, ao mostrar ele como um garoto retraído e tímido, que prefere interagir com uma máquina a fazer novas amizades, o que ajuda o público a compreender melhor a rápida empatia de Andy com Chucky.

A mãe de Andy, Karen (Aubrey Plaza), é uma personagem que traz mais problemas do que solução, cujas atitudes não são condizentes com o que foi apresentado em sua personalidade, e muitas vezes ela acaba criando a maioria dos problemas de Andy, com atitudes irresponsáveis ou ignorantes.

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O uso de animatrônicos e efeitos práticos ajudam bastante no realismo de Chucky, mas, a partir do terceiro ato, o diretor opta por utilizar cenas em CGI que ficam bem visíveis.


O filme abusa das falsas cenas de perigo, que mais irrita o público do que assusta, além de fazer várias referências ao filme clássico de 1988, mas, mesmo assim, essa nova versão consegue surpreender bastante o público, sendo bem divertida e, principalmente, assustadora.

NOTA: 7 brincadeiras com objetos afiados (7/10)

Trailer:




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