Crítica do filme Simonal


Entrando na onda americana de adaptar a vida de grandes ídolos da música para o cinema, chega a vez de Wilson Simonal (Fabrício Boliveira) ganhar sua historia imortalizada nas telonas. Diferente de outras cinebiografias de grandes nomes da música brasileira, como Tim Maia, Elis Regina, Renato Russo e Erasmo Carlos (todos já ganharam um filme relatando suas vidas), Simonal é o filme que mais se parece com o estilo americano, em comparação com filmes como Bohemian Rhapsody e Rocketman em termos técnicos, como a fotografia bem saturada, a montagem direta e equilibrada ao mostrar sua vida pessoal e a profissional, sem fazer com que uma tome o espaço da outra, planos sequências acompanhando os personagens e apresentando o ambiente por completo, e a opção de colocar a voz do verdadeiro Simonal nas cenas musicais, porém, mesmo que o trabalho de dublagem do ator esteja bom, a mixagem de som é bem visível, notando-se que a voz que o público ouve não esta saindo de quem está cantando.

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O diretor Leonardo Domingues consegue dar um destaque preferencial a partes da história de Wilson nos momentos mais relevantes, o que consegue despertar e prender a atenção do público, mas ele também consegue fazer pequenas referências a alguns atos e a algumas atitudes clichês que muitos cantores cometem quando estão no auge da fama, sem deixar que isso tome conta demais do filme, como a infidelidade de Wilson para com sua esposa, Tereza (Ísis Valverde). Quando o roteiro começa a abordar o lado mais polêmico do cantor durante o período da ditadura militar, a narrativa deixa muitas informações em aberto sobre algumas atitudes de Simonal, se ele fez ou não o que as pessoas o acusaram de fazer, principalmente depois do escândalo do ataque de um de seus ex-funcionários, ordenado pelo próprio artista, o que mostra que ele não era muito diferente dos militares ao usar métodos similares aos deles para conseguir informação.

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O roteiro perde algumas oportunidades de abordar outros temas apresentados, como o de Wilson ser um dos poucos cantores negros ao alcançar um nível de fama de outros grandes nomes da época, mas que, para compensar, foca no tema de como o cantor pensava e agia em relação à ditadura do país, o que chega a ser revoltante, principalmente com vários colegas seus do ramo sofrendo nas mãos dos militares.

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Fabrício Boliveira tem uma boa performance ao mostrar Wilson Simonal como com homem ousado, que sempre agarra a oportunidade de crescer no ramo musical sem pensar duas vezes, mas que também coloca sua família em primeiro lugar, e que, ao longo de sua carreira, vai crescendo, asm que vai se tornando mais arrogante e prepotente, achando sempre que tem razão sobre tudo relacionado a ele, e que aos poucos sua arrogância vai destruindo sua carreira.

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Ísis Valverde consegue se destacar ao interpretar a esposa de Wilson, Tereza, que mesmo com as inúmeras traições do marido, sempre o apoiava em sua carreira, ajudando-o a se destacar nesse ramo, mas que também não abaixava a cabeça para ele, principalmente depois que ela descobria um novo caso dele, sempre dando o troco, o que é mostrado de forma criativa e bem elaborada pelo diretor. Por outro lado, também vemos como a convivência com Wilson a afetava de forma negativa, a ponto de ela se destruir aos poucos.

Simonal consegue mostrar bem como Wilson Simonal foi uma das grandes vozes do Brasil, e como seu ego e egoísmo ajudaram a acabar com sua grande carreira no meio musical, depois de várias polemicas e injustiças envolvendo seu nome.

NOTA: 7 mamães que passaram açúcar em mim e meia. (7,5/10)

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