Momento blogueirinha: Crônicas de Uber de madrugada ou como é dificil ser mulher no Brasil... pelo simples fato de, bem, ser mulher


Bem, eis que em uma bela madrugada de insônia, me bate aquela vontade de ir ao Mac Donald's. Vejam bem, eu quis ir ao Mac Donald's, vivemos, mesmo que em teoria, em uma democracia, mas, mesmo assim, eu e sei que muitas outras mulheres como eu passo(passamos) por situações similares. Triste.

O motorista parecia simpático, mas a primeira pergunta que ele me fez era por que eu estava indo de Uber a um lugar que ficava a 400 metros da minha casa. A resposta era bem simples: era madrugada e eu sou mulher. Ele ficou quieto depois o tempo todo que, ainda bem, foi curto.

Em primeiro lugar, ele nem deveria ter feito essa pergunta. Em segundo, eu não estava com paciência (estava com fome) para ficar explicando por que é perigoso para uma mulher andar por aquelas ruas escuras, mesmo que por míseros 400 metros, à noite e/ou de madrugada. (Muitas vezes durante o dia já fui abordada por babacas que acham que tenho que responder a se bom dia, boa tarde, comentário escroto sobre minha camiseta etc. e mando pastar mesmo. Não sou obrigada.




Hoje, aconteceu mais uma vez, mas foi diferente. Chamei o Uber VIP (aque estava o mesmo preçõ do X), mas estava indisponível, então mandaram um Select no mesmo valor. Eu só precisava ir á padaria. Ao contrário do outro, este realmente era simpático e compreensivo, e fui eu quem puxei a conversa do pegar Uber para ir a lugar perto à noite/de madrugada. O que ele não só entendeu como corroborou. Desci feliz na padaria para ter mais desgosto.

Havia um cara pedindo bebida a todo mundo que passava, mas quando ele veio me abordar, mandei ele ir tomar no cu mesmo, não sou obrigada a aguentar encheção de saco de nignuém e não estava de bom humor. Ele não ficou olhando feio para nenhum homem que recusou pinga a ele, mas ficou me encarando enquanto eu esperava meu Uber. Ainda passou por mim e disse: "Você acha que alguém mexderia com você?"  Meu amor próprio e meu ego não ficaram feridos com um comentário de um ridículo, babaca e bêbado, mas me lembrou o discurso de ódio do "Sr." Presidente do Brasil, e das insinuações de que a mulher brasileira está aí para que os machos (de preferência "gringos", segundo ele) façam sexo conosco. Como se nossos corpos não nos pertencessem, como se tivéssemos que ser donzelinhas ou doninhas, esperando para serem comidas por predadores.

Eu sei Krav Magá, mas não sou faixa preta ou vermelha pra me livrar de 5 babacas como Jack Reacher

Ah, faça-me o favor. Saco cheio de macho escroto. Saco cheio de não poder quebrar a cara de um infeliz que me diz uma coisa dessas senão capaz de eu ser presa.E, sim, eu reportei pra Uber o motorista que não quis dar a volta sendo que ele errou o endereço e eu insisti que ali estava perigoso. Não podemos deixar pra lá. Chega de deixar pra lá, não? E a Uber pelo menos me devolveu o valor da viagem, e obviamente que a qualificação que dei para o motorista foi péssima.


Pois é, triste, mas verdade. Então, as mulheres que defendem este ser e/ou que são contra o feminismo, por favor, estudem. Dá ainda mais nojo ver mulher machista. Tipo, "ah, por que você não pediu para entregar em casa?"

Minha resposta é simples: Porque, até onde eu saiba *ironia mode on*, pela Constituição, eu tenho direito de ir e vir. E não tenho que "prevenir" ser incomodada por machos escrotos. Eles é que têm que parar de agir como se fossem o cocô de um rinoceronte com diarreia.

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