Honeyland, um documentário belíssimo de como a solidão não nos deixa enxergar a maldade alheia




Este filme é uma composição artística de luz e sombra, com uma paleta de cores e belos enquadramentos, com mixagem de som e uso de câmeras que em seu todo contam a história, em conjunto com o roteiro e a atuação dos personagens de maneira divina!



Em uma vila isolada na Macedônia do Norte, Hatidze, uma mulher de seus 50 e poucos anos, cuida de uma colônia de abelhas. Próximo a sua casa, em uma pedreira, ela constrói um pequeno apiário. Ela de vez em quando vai 'a vila vender o mel e também o usa para consumo próprio .
Num belo dia, uma família itinerante se instala ao lado de sua casa e o reino pacífico onde Hatidze vive se torna infernal. Dando espaço a motores barulhentos, sete crianças e uma centena de vacas, mesmo assim Hatidze se anima com a vizinhança barulhenta, pois há anos vive sozinha com sua mãe idosa e senil, e passa a dividir conselhos sobre apicultura, se afeiçoando a eles e principalmente a um de seus filhos, a quem ela enxerga como seu fosse seu filho, já que nunca teve um marido, mas sempre teve desejo de ter filhos.


Um belo dia, Hussein, pai das crianças, patriarca da família, ambicioso e egoísta, toma algumas decisões que desencadeiam uma quebra no cotidiano, na paz e no modo de vida pacato de Hatidze.
Vencedor do Grande Premio do Juri da seção World Cinema de documentários no Festival de Sundance e indicado da Macedônia para concorrer ao Oscar de Melhor Filmes Estrangeiro é maravilhoso em sua construção.
No fim, ficou a mensagem de que a cobiça de um acaba por ser a pobreza do outro e também o quanto a solidão nos faz não enxergar a maldade do outro, já que, todos nós queremos ser amados.

Trailer:

 
Filme visto na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Veja a programação da Mostra aqui.

Texto por: Giovanna Landucci 

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