Luta de Classes, uma dramédia francesa lotada de críticas e reflexões

Não sei se Marx teria ficado muito feliz com o nome desse filme, Luta de classes. Imagino que ele teria rido no primeiro momento, afinal, é um ótimo trocadilho, mas pensando em todos os seus anos de pesquisa sociológica e comparando com as críticas desse longa, talvez ele fosse ficar um pouco decepcionado.

É claro, não vamos começar já apontando defeitos. É um bom filme, no final das contas. Com o clássico humor francês, as piadas são um alívio cômico, mas sempre temperadas com uma pequena alfinetadinha de crítica social. Algumas são BEM perceptíveis, até talvez um tanto quanto clichês, e outras tão sutis que podem passar despercebidas na hora. Mas uma coisa é certa: independente da maneira como são apresentadas, todas as críticas desse filme são muito atuais e necessárias.


Michel Leclerc conta a história de um casal um tanto quanto diferente. Sofia é uma brilhante advogada familiar e Paul, um músico que teve seus dias de fama há muito tempo, ambos super contra o sistema e politicamente conscientes e críticos. Eles e seus 2 filhos se mudam da capital parisiense para uma cidade na banlieue (região das pequenas cidades ao redor de Paris), onde Sofia cresceu, e um tempinho depois, os únicos amigos do seu filho, Corentin, saem da escola pública para entrarem em uma particular.

A crítica é clichê e escancarada, o que não a torna menos importante: Corentin acaba se tornando o único branco da sua classe (como dizem no filme) e logo começa a se sentir excluído e até afrontado pelos colegas. Em uma clara troca de valores, o “branco europeu” se torna a minoria e os pais não sabem como lidar com isso. Assim, cada um reage de uma maneira, a Sofia ensinando ao filho a ser compreensivo e passivo, já Paul, o mais rebelde entre dos dois, fala para o filho se impor e demandar respeito, que assim os outros coleguinhas irão o respeitar. O casal então tem que enfrentar um grande dilema entre suas convicções políticas e seus interesses pessoais de dar o melhor para o seu filho. O filme acaba mostrando diversos conflitos diferentes que esse principal traz, como o embate entre os pais ao quererem ensinar princípios conflitantes ao filho e até uma crise amorosa e familiar. 



Leclerc se mantém na sua linha de comédias sociológicas, como Os Nomes do Amor (2010) e Anos Incríveis (2012), ao mostrar a hipocrisia de um “burguês da esquerda”, focando bastante realmente na crítica social que segue o filme inteiro, mas sem se focar e nem tentar dar mais profundidade aos personagens. Várias ideias e situações são introduzidas ao longo do filme, mas não são desenvolvidas e a maioria, nem resolvidas.

Luta de Classes é uma dramédia divertida e gostosa para ver quando a gente não quer pensar tanto ou sair pesado do cinema. Mas, ao mesmo tempo, várias críticas pertinentes são levantadas como xenofobia, racismo e bullying. Nesse quesito, ponto para Leclerc! Mas no final é isso: um filme leve, para dar umas risadas e indicar para aquele seu amigo que é contra refugiados, só para fazer brotar uma sementinha de empatia na cabeça dele que você poderá regar para ele finalmente parar de olhar para o próprio umbigo e entender que o mundo é um lugar para todos e devemos respeitar todos os tipos de cultura, etnia e religião.
Nota: 3 risadinhas [3/5]

Trailer:

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