A Batalha das Correntes: Se soubessem o preço da conta de energia nos dias de hoje, não teriam começado essa briga toda aí


Confesso que, como uma grande fã de Benedict Cumberbatch, saí empolgada da cabine de imprensa após tanto tempo sem ver esse grande ator em um filme novo. Mas, depois que a poeira baixou, eu vi o quanto me decepcionei com o longa, e eu já explico o porquê. Mas antes, vamos de contexto:

Após dois anos — aparentemente intermináveis — de espera, o longa de Alfonso Gomez Rejon, A Batalha das Correntes (ou como eu prefiro chamar: A Treta da Eletricidade) finalmente chegou às telas dos cinemas com uma adaptação correta e acima de tudo decepcionante sobre Thomas Alva Edison (Benedict Cumberbatch) e George Westinghouse (Michael Shannon). 


O drama retrata a disputa entre os dois inventores — um que tentava a todo custo apostar em uma corrente contínua de energia, e outro que, aparentemente, já tinha gasto uma grana alta com essa ideia e acabou por criar uma corrente de luz alternada, que de segura não tinha nada, mas pelo menos era econômica — de uma forma bastante tradicional e sem nada muito surpreendente. Edison e Westinghouse parecem dois torcedores do Vasco da Gama e do Flamengo em dia de clássico no Maracanã: o tempo inteiro brigando numa disputa de poder e ego. 



O personagem de Benedict Cumberbatch é o mesmo durante quase o filme inteiro: arrogante, prepotente e nunca admite estar errado. Prefere se isolar do mundo e compra briga com todo mundo que o questiona. Praticamente um emo do século XIX. Mas, como todo bom emo, é claro que surgiram alguns traumas, porque não importa o quão inteligente você seja, sempre vai ter algum problema de anos atrás atrasando a sua vida, e se for problema familiar então, amigo, a coisa fica mais feia ainda. Embora a relação com sua mulher pudesse servir como justificativa para seu comportamento estúpido, Mary Edison, personagem de Tuppence Middleton, é muito pouco explorada e de pouca relevância. Uma oportunidade perdida de mostrar que o casamento nada mais é do que uma grande força caótica que nos leva a cometer os maiores erros de nossas vidas.



O roteiro de Michael Mitchnik, que deveria retratar de forma impactante e desenvolvida a disputa egocêntrica e ambiciosa entre os dois, acabou por se tornar uma aula didática extremamente confusa, cheia de eventos históricos (que já é errado, porque se eu quisesse estudar, eu assistiria a uma aula do Telecurso 2000, em vez de um filme no cinema) e uma fotografia escura que desperdiça completamente a temática do filme, que é sobre, adivinhem? Energia elétrica. O filme parece ter sido gravado durante a Crise do Apagão no Brasil em 2001. A justificativa é de que a fotografia apagada e sem graça do filme foi uma tentativa de trazer um ar poético à trama, que obviamente deu errado. Essa mania que diretor de fotografia tem de querer enfiar poesia em tudo, um porre.



É por isso que não basta a história ser interessante por si só, porque se for pra saber como foi inventada a eletricidade, eu abro um artigo da Wikipedia e aprendo. O filme não desenvolve o caráter dos personagens centrais, não investe em aprofundar os bastidores sujos da disputa e muito menos responde às maiores dúvidas. Afinal, corrente alternada é perigosa ou não? Fica aí a dúvida para os espectadores. Se alguém quiser fazer o teste e contar aqui como foi depois, beleza. Mas já aviso que não vou me responsabilizar por ninguém levando choque não.


Nota: 2 banhos de cachoeira e meio.




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