#onnetflix: The Host (O Hospedeiro) é o filme de "monstro" de Bong Joon-Ho que você tem que ver, e logo!

Se você, como eu (e meio mundo!), curtiu e/ou já virou fã de Bong Joon-Ho e Parasita, que afinal, fez história sendo o primeiro filme em língua não inglesa a ganhar o Oscar em 2020, além de melhor filme estrangeiro, minha sugestão é que assista a The Host (O Hospedeiro). [Por favor, nada a ver com aquele inspirado no livro da mesma autora da série do vampiro que brilha...]

Ah, e não pense que se trata apenas de mais um filme com monstros mutantes. Para começo de conversa, o próprio Godzilla, surgido em 1954, Gojira, apareceu inicialmente como uma metáfora sombria sobre os horrores da guerra e da evolução da ciência e da tecnologia - o que eu vejo como um problema de (mau) uso humano, já que a mesma tecnologia pode tanto matar quanto salvar vidas. Godzilla "sofreu" diversas adaptações depois, mas sua origem é brutal e importantíssima até mesmo para que reflitamos sobre este monstro criado por seres ditos "humanos" de que estou falando agora, The Host. E, se você quiser ir mais a fundo na história desse "monstro" cuja pele enrugada e marcada faz referências às cicatrizes que os sobreviventes dos desastres nucleares carregaram pelo resto de suas vidas, veja no final deste post alguns links interessantes, inclusive falando sobre como, com o passar dos tempos, o antes "monstro" meio que se tornou um herói, ou anti-herói. Contextos histórico, político e social sempre são importantes para se bem analisar qualquer filme e/ou outra obra de arte, pois elas refletem seus tempos. 



The Host já ganha vários pontos logo de cara, pois, como filme de monstro, é perfeito; a ameaça está lá e não é fácil de ser destruída, mas, lembrando-me lá do primeiro Predador, com Schwarzenegger, "se sangra, pode morrer". Bem por aí. Só que se vê logo na abertura do filme, em inglês (depois o filme é em coreano), dentro de um laboratório, um "superior" criticando seu "subordinado" pela sujeira do laboratório, no caso, o pó, para logo depois mandar que jogue produtos químicos altamente tóxicos pelo ralo, o que obviamente vai gerar a mutação e catástrofe. 

Este filme é de 2006, e, mais uma vez, assim como vemos em Parasita, mais de uma década antes, suas críticas bem construídas e em camadas sociais e políticas e pessoais mostram não somente a alma coreana, como os horrores da falta de humanidade do dito "ser humano", ganância, mesquinhez, não dar ouvidos ao pobre aparentemente não inteligente que tem lá seus momentos de tristeza no filme, sim, mas cujos momentos de glória são extremamente grandiosos. E já estavam lá, faz tempo. Mais de uma década. E não falam, assim como Parasita, somente ao povo coreano. É um problema (ou seriam problemas?) mundial.



A tragédia tem início logo no filme, que mistura tons clássicos de filmes de monstros com uma sátira político-social, que não deixa de lado a invasão norte-americana na decisão quanto ao que concerne problemas de outros países. Depois de a criatura pegar, comer e sequestrar várias pessoas, inclusive crianças, na praia, temos a família (disfuncional, diga-se de passagem) reunida, sofrendo na hora do memorial para os mortos e os fotógrafos da mídia tirando mil fotos; é, eu não serviria mesmo para repórter fotográfica, ainda mais de tragédia, como disse meu professor de fotografia. Não tenho esse sangue frio. 

A construção dos personagens, até onde os parentes podem ir para (tentar) salvar seus entes queridos, a omissão do governo e até mesmo de profissionais da saúde sobre o que de fato está acontecendo, tudo isso vem bem embrulhado em uma fotografia belíssima, em tons menos quentes, mas com foco no amarelo das roupas de biohazard, e os tons mais cinzas e sombrios, além do cuidado que pude perceber em Parasita com a trilha sonora e o score, que já podem ser vistos e ouvidos ali em The Host



No filme: observação médica: Não coma. Pessoa vai lá e come. As pessoas tiram suas máscaras e cospem no chão para logo depois vir um ônibus e jogar a meleca toda para cima das outras pessoas. Qualquer semelhança com a realidade em que estamos vivendo e em que nos dizem "não saia de casa se não for absolutamente necessário" e vejo mais de 10 pessoas na minha ida ao mercado, absolutamente necessária para que eu não morra de fome, passeando com seus cachorros como se estivessem em uma colônia de férias,"infelizmente, não é mera coincidência. Vida real. Aqui no Brasil. Assim como também pessoas tirando suas máscaras e limpando catarro no transporte público. Também vida real, aqui no Brasil. =/

The Host é um filme profundo, o que eu já esperava de Bong Joon-Ho, mas aquele final agridoce, que alguns podem até mesmo achar mais acre do que doce, é plenamente satisfatório e realista e condizente com a evolução do filme e dos personagens... ainda que dentro de um filme de gênero como este, e tocante. Sim, capaz de tocar os corações mais geladinhos. Eu acho. Assim espero.

Nota: 5 lulas com 9 perninhas ;) (5 de 5)

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Trailer:


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