#momentotelecine: Cemitério maldito (2019) – o que você faria se pudesse interferir na morte?



Depois da memorável adaptação de 1989 (que é um clássico trash até hoje), já estava na hora de Pet Sematary (Cemitério Maldito) ganhar uma nova versão para as telonas. Para quem conhece o estilo “Stephen King” de ser, não é muito difícil saber o que o aguarda: terror e muitas tramas psicológicas que vão te deixar confuso sobre o que realmente acontece, mas muito bem desenvolvidos também.

Ao se mudar para uma cidade pequena do interior, a família Creed sabe que encontraria novos costumes para se adaptar, mas nada tão bizarro quanto a procissão ao chamado “Pet Sematary” (que, por algum motivo, foi escrito errado), um antigo cemitério que os índios usavam para seus animais de estimação. A trama começa a se desenvolver realmente quando o gato da família Creed morre em um acidente na estrada e, ao saber como a garotinha Ellie ficaria triste com isso, o vizinho Jud fala sobre o que realmente é o Pet Sematary e que o gato poderia ser trazido de volta, mesmo que não completamente como era antes.



O desejo de ressuscitar entes queridos nunca foi uma novidade para os seres humanos. Mesmo com tantas religiões e crenças diferentes, lidar com a morte nunca foi fácil, principalmente pelo desconhecido, por não saber o que nos aguarda do outro lado. Apesar de muitas culturas nos deixarem espaço suficiente para imaginar a volta dos mortos, Cemitério maldito não é tão fictício assim: o autor, Stephen King, realmente viveu com a família em uma zona rural e realmente havia um cemitério de animais de estimação atrás de sua casa. Como viviam próximos à estrada principal, era comum que algumas crianças perdessem seus bichos em acidentes. Após o filho mais novo de King quase ser pego em um desses acidentes, as palavras “e se” nunca deixaram seu pensamento e foram inspiração para o livro.



Após ressuscitar o gato e seu comportamento estranho causar a morte de sua filha, Louis percebe que o erro de trazer seu bichinho de volta não deveria jamais ser cometido com seres humanos. Ellie volta para seu pai após ser enterrada no Pet Sematary, mas é bem óbvio que algo bizarro voltou com ela. Conforme a história se desenrola, o filme se torna cada vez mais tenso e suas imagens, escuras. Em alguns pontos é difícil não prender a respiração ao ouvir a pausa na trilha sonora e seguir em frente só causa mais palpitações (o que, sinceramente, é o que esperamos de um filme de terror, não?).



O desenrolar da trama mostra cada vez mais a necessidade desse remake. Sinceramente, assisti aos dois e não sou uma grande fã da escrita do King (mesmo achando suas histórias incríveis), mas essa nova versão realmente fez jus ao que o filme devia representar e a maneira como lidamos com a morte e o luto e como realmente desapegar-se. Todos que voltavam retornavam corrompidos e, mesmo que não voltassem, o que realmente esperaríamos trazendo um ente querido de volta? O que realmente sabemos sobre as pessoas que amamos para desejar que suas vidas continuem? Esse é e sempre será o maior tabu das relações humanas e do desejo de proximidade: perceber o quanto realmente nos conhecemos.

Nota: 3 gatos zumbis (3/5)


Trailer:

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