A insustentável "leveza" da "positividade"




Já dizia o sábio filósofo e escritor marxista francês, Guy Debord, que vivemos em uma Sociedade do Espetáculo. Ele nada mudou em seu livro, apenas acrescentou. O circo só continua. Agora vivemos também na Sociedade do Desempenho e na Sociedade do Cansaço, bem expostas em dois livros do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, e bem ilustradas no filme Parasita, de Boong Joon Ho. Ainda faço aqui um artigo ou tratado sobre esta obra-prima do cinema sul-coreano e mundial. Estamos "vivendo" em uma pandemia e não vou nem entrar em questões políticas e desgostosas do Brasil agora, porque sobre isso temos muitas fontes confiáveis na Internet, e citarei algumas no final. 

Colocarei abaixo um trecho do livro Minha avó pede desculpas, de Fredrik Bacman, em que uma avó diz à neta que "todo ser humano adulto" é uma bosta. Mas ela também diz que dá pra você se enquadrar no grupo dos menos bosta.



Palavras como empatia são "usadas" como meros vocábulos, mas, na maioria das vezes, na prática, não passam disso. Fora a empatia seletiva. Embora empatia com fascista e genocida e congêneres não deva existir mesmo. Não é à toa que o nome Adolf foi praticamente abolido na moda dos nomes, pois, sim, nomes são moda, também citarei fontes. 

Aí teve a tal produtividade. (Fruto direto da Sociedade do Cansaço). Claro, vamos ser produtivos, estudar, aprender mil idiomas, se concentrar com vizinhos surtando, ouvindo música alta, dando festa, quebrando quarentena, usando máscara "de caxumba", matando funcionários em supermercados, super normal né?, pois é super normal. Vamos celebrar a ignorância? Vamos! Só que não.

 Se você achar esse vídeo engraçado, sugiro que saia de sua bolha e reveja seus valores.

Leveza? Por que só a leveza? Nesse estado de pandemia em que até pessoas que eram antes (pelo menos parcialmente) sãs, já que duvido que todo mundo seja 100% são, física e mentalmente, vamos também celebrar a POSITIVIDADE (citada como um MAL nas referências por um filósofo, não apenas por esta que vos fala/escreve). Especialmente se você estiver sangrando, passando mal, mas veja que bela paisagem! Seja positivo. Seja positivo o caralho! Comida, saúde, dinheiro para pagar as contas caem do céu? Pra mim nunca caiu, e mesmo assim, eu luto. Só que agora estou de luto. Pela (Des)Humanidade. Só parem de cuidar das vidas dos outros e tentem cuidar das suas que duvido que sejam essa belezinha toda mostrada em Instagram e outras redes sociais.



Não adianta colocar hashtags antirracistas, antifascistas (escolha seu movimento) e ser um ser humano bosta com os mais próximos. Especialmente aqueles que vocês chamam de amigos. Eu tento ser um ser humano menos bosta. E você?

Este é um post curto mesmo. Objetivo de vida? Amar o próximo. Obstáculo? O próximo. Por um mundo com menos hipocrisia e mais empatia.

Fontes (Não vou seguir as regras da ABNT):

Sociedade do Desempenho reconfigurada pela pandemia
Para o coreano Byung-chul Han, a contemporaneidade é marcada por um excesso de positividade que culmina nas mais diversas patologias psicológicas
Guy Debord


 Primeiro filme em língua estrangeira a ganhar o Oscar de melhor filme, entre outros, o que surpreendeu até mesmo seu criador, pois ele achava que era um problema, a princípio, só de seu país.
Disponível, o filme, aqui, no TelecinePlay, contendo ainda extras: Entrevista com o elenco: A produção e Entrevista com o Elenco: Cenografia e Arte.

 
 Sobre o "extermínio" do nome Adolf e a criação de tendências: Sugestão de leitura: Hit Makers - Como nascem as tendências, de Derek Thompson, traduzido por essa que vos fala/escreve.

Sobre a leveza, vou deixar aqui um vídeo da diva Rita Von Hunty, mas vale a pena assistir a vários outros do canal dela, Tempero Drag, e mais um que indico, embora valha a pena ver todos, certo, dois, são o Ideologia e um bem mais "pesado", porém extremamente necessário: Racismo, Coisa de Branco




E mais um sobre leveza, e esse contém sugestões não pateticamente ridículas sobre "leveza", mas sim coisas úteis. Também sugiro o canal como um todo. Mas ele ironiza de um modo delicioso a Regina Duarte e sua maldita "leveza".


Ps.: Atualização: Há 16 horas, as mortes por COVID-19 no Brasil, sem contar as subnotificações, já beiravam as quase 65.000.

Outras fontes (não de fake news) podem facilmente ser buscadas na internet em pesquisas decentes. No momento, vou dedicar um minuto de silêncio a todos os mortos e sofridos no Brasil e no mundo. E outros livros foram citados no próprio artigo.


"Todo mundo tem direito a uma opinião, contanto que ela não seja patética." - Craque Daniel em: Você não merece ser feliz - Como conseguir mesmo assim

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