Ju-on: Origins, e como descaracterizar uma franquia inteira!





Uma casa amaldiçoada, uma criança morta violentamente com seu gato de estimação, um marido traído e uma mãe que permanece para proteger seu filho e espalhar seu ódio. Esse pode ser o resumo da maldição de Kayako em diversos filmes da franquia Ju-On (o grito), mas essa caracterização foi desfeita e, com certeza, arruinada na série da Netflix que promete contar como tudo começou de verdade.
 
Em Ju-On: origins, uma mulher é sequestrada, sexualmente abusada em seu cativeiro e acaba engravidando de seu sequestrador. Ela consegue dar à luz antes de morrer, mas, sem a chance de conhecer seu bebê ou levá-lo à segurança. Como já falamos em alguns posts sobre terror japonês aqui no site, uma morte violenta e cheia de ódio dá início à maldição de um yurei, um espírito vingativo que machuca todos que cruzem seu caminho e cuja maldição nunca poderá ser desfeita. Na série da Netflix, essa maldição ocorre de um jeito diferente do que estamos acostumados a ver na franquia.



Com uma linha do tempo bagunçada e uma centralização de personagens um tanto confusa, acompanhamos histórias diferentes de pessoas que viveram na casa após o ocorrido. Nesse spin-off da franquia, o fantasma parece ter uma predileção por mulheres grávidas, talvez por se identificar e buscar seu filho perdido em todas essas mulheres que trazem nova vida à casa. Yasuo Odajima é um pesquisador do sobrenatural e não se lembra de que viveu na casa durante parte de sua infância, em 1960. Uma de suas ajudantes, Haruka, faz contato com o outro lado quando seu noivo busca uma casa para viverem e acaba encontrando a casa amaldiçoada (essas casas costumam ter um preço baixo de venda em alguns países e não se sabe o porquê... até que algo acontece, vide Amytville) e ela própria começa a ouvir passos durante a noite e vozes de uma mulher atormentada. Após se reconectar com a casa, Yasuo começa a ouvir passos e se lembra do que aconteceu em sua infância conturbada, o que levou ao fim de sua família.
 
Em 1988, a estudante Kiyomi precisa mudar de escola novamente devido à vida conturbada que possui com sua mãe, Mina. Sua mãe a culpa pelo fim de seu relacionamento e tem relacionamentos conturbados com os professores de Kiyomi, como se estivesse em uma eterna competição de sensualidade com a filha, julgando que todos esses homens se interessem pela garota, incluindo seu ex-marido. Kiyomi tem contato com a casa amaldiçoada quando suas novas colegas de escola a levam para lá e incentivam outro colega a estuprá-la. Passando por esse trauma dentro da casa amaldiçoada, Kiyomi é possuída pelo yurei e começa sua vingança contra a mãe, as colegas e o homem que foi seu abusador, criando mais um ciclo de sofrimento que levará seu filho embora.



Essa maldição continua se alastrando conforme mulheres grávidas passam a viver perto ou dentro da casa amaldiçoada e os homens se tornam cada vez mais violentos. Parece um universo completamente independente de Ju-On e acredito que usar o nome da franquia foi apenas um chamativo. Sou uma grande fã da franquia que conta a história de Kayako e Toshio e assisti à série por esse motivo, mas me decepcionei muito com a falta de elementos-chave e por não conseguir identificar os personagens ao longo da série. Poderia ser uma nova história interessante, com personagens que levam seus próprios problemas e traumas, mas infelizmente não teve o apelo que devia ter levando o nome da franquia.



Em diversos aspectos, posso dizer que a série foi decepcionante. Faltou enredo, faltou uma explicação sobre a maldição (e gosto de explicações como em Psicose, em que o final detalha minimamente tudo o que aconteceu no decorrer do filme) e faltaram personagens carismáticos e chamativos o suficiente para nos prender. O terror atual tem pecado muito nessa questão, já que o jumpscare tomou conta das telas e roteiro passou a ser um elemento dispensável. Colocando em termos mais fáceis: um grito apenas, porque 1 é o mínimo que precisamos marcar para avaliar algo na internet!

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