#onNetflix - Enola Holmes é uma inspiração e um deleite!

Depois de assistir ao filme Enola Holmes, novo longa original da Netflix, inspirado em uma série YA de filmes sobre a irmã mais nova de Sherlock Holmes, que já adianto, amei, eu fui ler algumas críticas sobre a obra e algumas só me fizeram ter mais certeza de que esta adaptação não só é bem-vinda como necessária. Comentários feitos por homens dizendo que o filme "é para meninas" e que a Enola é "uma versão feminina de Sherlock Holmes" afinal só mostram o quanto o machismo estrutural está arraigado a ponto de um filme que joga na cara esse mesmo tipo de atitude acaba recendo essas críticas - isso sem contar as inúmeras vezes em que reclamam que este não é um filme de Sherlock Holmes, e não é mesmo, caso não tenha ficado claro no título... o filme é sobre Enola Holmes e ELA é a protagonista, não ELE.

 
O que já deveria ter ficado claro no título é ainda mais evidenciado pela direção de fotografia, como podemos ver nesse take acima, em que o Sherlock de Henry Cavill está à direita e, embora seja mais alto e, a princípio, mais imponente, pois além de ser adulto, já é um consagrado detetive, a Enola de Millie Bobby Brown é destacada à esquerda, em posição confrontadora, e a iluminação da janela conduz nosso olhar para a direção dela, um efeito causado por um uso bem comum (e também eficaz) em fotografia de cinema no direcionamento do olhar do espectador. 
 


Também não vi o "romance" no filme como algo que diminua a protagonista. É conduzido de forma sutil e que se encaixa perfeitamente no contexto - e chega a ser engraçado quando Enola o compara a um animalzinho que está prestes a cair do penhasco e precisa de ajuda. É totalmente coerente e não forçado na história, ainda mais que Enola não abre mão de nada em sua vida e/ou personalidade por causa de homem algum, ainda que Sherlock seja mostrado sob uma óptica mais empática do que nos livros de Conan Doyle, provavelmente devido ao fato de que ele é visto pelos olhos de Enola, sua irmã, que pode muito bem ter uma visão mais benevolente dele, ainda mais em contraste com Mycroft, que é simplesmente um personagem lamentável e que pretende encarcerá-la nos moldes antiquados que visam a subjugar uma mulher na sociedade. 
 
De modo geral, o filme é quase uma Sessão da Tarde moderna, ainda que passado no século XIX, e também, ainda que suas mensagens políticas e sociais o tornem bem relevante em termos de importância atualmente, é bem-vindo, cheio de atuações marcantes e momentos deliciosos que o tornam simplesmente um daqueles filmes que a gente termina esperando o próximo ou já com vontade de ver de novo. Como um bom livro Young Adult (tal como o filme é inspirado em uma série YA), a sensação boa permanece depois de rolarem os créditos, deixando aquele gostinho de quero mais. Uma excelente repaginação das histórias de Sherlock Holmes em que ele, apesar de ótimo (e ainda mais maravilhoso na pele de Henry Cavill), não é o personagem principal. Se você ainda não viu Enola Holmes... o que está esperando? Corre pra ver! :)

Nota: 5 golpes de jujutso bem realizados ;)

Trailer:









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