#momentotelecine: Podres de ricos (Crazy Rich Asians) - Representatividade, Entretenimento e... Queremos (e Precisamos) Mais Disso!

Primeiro eu juro que queria mesmo entender why the fuck o título do filme ficou só Podres de Ricos e tiraram a importantíssima palavra ASIÁTICOS dele? A família central, bem, digamos assim, são asiáticos e podres de ricos. Até o livro teve o título em português corretamente traduzido: Asiáticos Podres de Ricos (e pela Record, sendo que o selo Galera Record chegou aos Trending Topics do Twitter ontem por causa de Whitewashing e outras "tretas")! Kevin Kwan (autor da série dos livros) é singapurense e publicou Crazy Rich Asians em 2013. O livro foi inspirado por sua infância em Singapura. Atualmente, ele mora nos Estados Unidos. Ele tem lugar de fala. O diretor, Jon. M. Chu nasceu nos Estados Unidos, mas sua mãe é taiwanesa. Também tem lugar de fala. 


O filme ainda conta com um elenco (principal, pois tem algumas cenas em Nova York) 100% asiático (Constance Wu é asiática-americana, como sua personagem, e isso é abordado no filme, o preconceito entre os 100% asiáticos e os asiáticos-americanos, entre outros temas), que, segundo a própria Constance Wu, representa a inclusão. Então nem tem a desculpa para dizerem que seria "racista" colocar o título certo na versão do filme em português: Asiáticos Podres de Ricos! Ah, Adele Lim, roteirista, é malasiana, junto com Pete Chiarelli [roteirista de A proposta, ótima comédia romântica também formulaica, como falo mais abaixo]. Bem diverso, não? Um grande estúdio, fazendo um filme desses, que foi um grande sucesso é super importante! 

A importância de um filme como esses é muito grande, mesmo em se tratando de uma comédia romântica, mesmo formulaico (já falei inúmeras vezes aqui que o problema não é ser formulaico ou cliché, é o bom ou mau uso dele(s) que representa(m) o(s) problema(s). E a fórmula, os clichês, tudo isso parece ter sido escolhido a dedo para encantar e deleitar a nós, que curtimos uma boa romcom que não seja tudo de péssimo e ofensivo, com poucas falas para as mulheres, ou apenas falando de homens com as amigas etc., acho que vocês sabem ao que me refiro ;) Até mesmo porque, por sua temática mais "geral", digamos assim, e menos "filme de arte", acaba atraindo mais público, mais dinheiro, mais filmes com tamanha representatividade e menos mais do mesmo.

Se, tal qual fizeram com o livro Extras aqui no Brasil (vejam as fotos abaixo), eu talvez nem visse o filme porque estou meio cansada do cliché das comédias românticas norte-americanas. O livro Extras se passa no Japão, vejam as capas (antigas, foram refeitas), do nacional e do original americano. [O meu print do "Dê uma olhada" foi totalmente proposital.]

Se você acha que inclusão, feminismo, respeito a diferenças, antirracismo, antifascismo, por exemplo, são "bobagens", e se acha machismo, transfobia, gordofobia (inclua aqui várias sociofobias que vemos pelo mundo todo) ok, citando Dua Lipa, talvez haja algo de errado com você. E não escrevi toda essa introdução à toa, embora ela seja importante em si, também é um grande gancho para a conexão da "necessidade", digamos assim, que muitos dos asiáticos do filme Podres de Ricos têm de estudar em Oxford, ter um inglês perfeito, inclusive fazer cirurgias, como nos olhos (lindos, por sinal), para que fiquem mais "ocidentalizados". Inclusive muitos japoneses que imigraram para o Brasil e/ou descendentes aqui nascidos, acabam se "ocidentalizando" com o uso de "(pre)nomes brasileiros", como é profundamente abordado nessa dissertação aqui.


A essa altura vocês já devem estar pensando, ok, Ana, já entendi as referências, mas você gostou do filme? É bom? Excelente? Vamos por partes. O glamour de (eu vou chamar de Crazy Rich Asians e ponto final hehe)... Enfim, o glamour de Crazy Rich Asians e o uso dos figurinos, das cores (não só das roupas, mas delas também), fica bem intenso quando o casal de namorados chega em Cingapura (em si, lugar lindo!), e mais uma vez uma produção asiática (aqui, asiática-americana, o que não deixa de ser irônico graças ao preconceito quanto a isso...) arrasa, como It's okay not to be okay, deixando Emily in Paris no chinelo, e nem aqueles de grife ou mesmo Havaianas da Disney, naqueles chinelos velhos e com as tiras presas com pregos, rs. Tem ostentação? Muuuiiitoooo. Luxo? Total. Mas também tem protagonista feminina inteligente, tem crítica à valorização da família mesmo quando há agressões (violência doméstica), traições e outras coisas (tristes) mais? Tem sim! Tem uma trilha sonora fantástica? Tem. Um dos comentários no YouTube foi justamente sobre o quão raro e gratificante ouvir uma música em cantonês nas telonas nos EUA. Outro usuário disse que sentiu muito orgulho por ser chinês ao assistir a esse filme. Deu pra entender o quanto a representatividade é importante?
 


Quando ouvi os primeiros acordes do que supostamente seria Material Girl, mas, na verdade, é uma versão, digamos assim, dessa música da Madonna, chamada 200 du {200 graus} [que já estou ouvindo... de novo, vicia!], cantada em cantonês... ahhhhh <3! E tem mais covers. E o longa foi filmado totalmente em Cingapura e na Malásia. {Não sei cantonês, mas vi outro comentário no YouTube dizendo que a versão em cantonês de Material Girl tem muito a ver com a trama, huuum, e a original, também, legal isso!}

Sua relevância cultural é inegável, é entretenimento no ponto (temos mais livros, logo pode ser que venham mais longas, mas Crazy Rich Asians em si tem começo, meio e fim, perfeitinho, valendo já como um stand-alone. Awkwafina rouba várias cenas e em determinado momento ela me lembrou a Rosa Diaz de Brooklyn 99, heheh, enquanto Michelle Yeoh nos entrega sensibilidade, antipatia e simpatia, enfim, uma personagem feminina mais complexa e multifacetada do que a típica vilã mãe do cara que não quer que ele se case com a mulher que ele ama e tal. 
 
 

Muita curiosidade para saber se a trama paralela de Astrid será abordada no segundo filme, caso venha a ter um, mas, ainda assim, com abertura para um arco, Gemma Chan brilha (como muitos outros e outras) nesse filme, e suas ações são convincentes no encerramento desse seu arco em Crazy Rich Asians, mas eu amaria ver mais da Astrid e... bem, vou cortar a frase para não soltar spoilers.



Colorido [em termos de uma escolha de paleta de cores bem forte, não descartando tons mais claros e pastéis, usados nos momentos certos], com ótimas atuações, devidas meninas malvadas "adultas", representativo, divertido e delicioso de se ver. Se recomendo? Claro! E eu sei que temos os livros e tal, mas em tempos de pandemia, eu faço parte do grupo com muita dificuldade em terminar um livro que não seja de trabalho, mas isso é assunto para outro post.

Nota: 5 peças de Mahjong ;) (5/5)

Disponível no TelecinePlay ;)







 

 

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